Alta Costura: um espetáculo quase Arte

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As técnicas de costura exibidas por Jonathan Anderson em Dior

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A moda não para. Esta é a semana da Alta Costura, evento que vive ameaçado de acabar, por falta de consumo. Virou uma mostra de talento e criatividade, aproximando a arte da vestimenta. Sem ser a wearable art, que tanto se insinuou nos anos 1970/1980, é uma demonstração de perícia no manejo de tecidos e do espetáculo da apresentação. Mais uma vez, os destaques vão para Dior e Chanel.


 

Dior: A avaliação de um desfile tem muitas versões. Pode ser subjetiva, descritiva, detalhista. Ou simplesmente falar do ambiente, das histórias da entrevista e dos vips na plateia. Me parece que tem acontecido isto com o trabalho do Jonathan Anderson, atual diretor de criação da Dior. Porque, como no prêt-à-porter, há uma mistura de exibição de costura e peças próximas do que seria comercial. Mas ainda que seja Alta Costura, os acessórios garantem a cobiça da clientela. Atenção às bolsas, muitas estilos clutch, para carregar como quiser. Aos sapatos, incluindo um mocassim! Ninguém precisa usar brincos que parecem pompons ou longas orquídeas.

Achei nobre convidar o John Galliano. E gostei de ver que uma saia tem bolso! (posso ser um pouco subjetiva, às vezes)




Chanel: Outro novato, o Matthieu Blazy, impressiona por muita audácia. Não é fácil assinar uma marca com a fama de uma Chanel, nome cobiçado pelo mundo inteiro. Sua Alta Costura seguiu alguns mandamentos instaurados por Karl Lagerfeld, principalmente a ambientação no Grand Palais. Impossível desprezar o lugar de cogumelos cor de rosa, uma espécie de sonho, de escape da correria da semana. E impossível desacreditar do talento que transformou os tailleurs de tweed em tailleurs leves, transparentes. Uma alteração inovadora, que mantém o espírito original da Gabrielle Chanel.