Moda e Estilo

Por Iesa Rodrigues

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IESA RODRIGUES

Sapatos levados a sério

Publicado em 04/03/2024 às 10:38

Alterado em 04/03/2024 às 10:38

Enquanto ate quarta-feira as grandes marcas realizam espetáculos em Paris, vamos mais uma vez tratar de um assunto favorito: sapatos!

Do outro lado

De vez em quando invado áreas de colegas mais do que especialistas, verdadeiros gurus. Como o Gilberto Menezes Cortes, grande editor de Economia.

Hoje o tema da invasão é sério, pelo menos os componentes estão se reunindo e reivindicando certo. Só quero valorizar este setor tão organizado (e também, porque como 90% das mulheres, adoro um sapatinho).

Pelo mundo

Um dos salões de sucesso do setor calçadista neste ano Foto: Divulgação

Em cerca de um ano, marcas brasileiras foram para:

Milão: na feira MICAM onde 76 marcas venderam US$ 31 milhoes

Estados Unidos: o circuito de feiras americanas deve gerar US$ 47 milhões para as marcas brasileiras

A Abicalçados, que lidera esta movimentação, promete o dobro de expositores na segunda edição da BF show, em maio, em São Paulo.

Estas são apenas histórias recentes da indústria e varejo de calçados brasileiros. Mesmo com este sucesso nacional e internacional, desde janeiro correm as noticias de que 40 entidades do setor se manifestam contra a isenção das plataformas internacionais.

É isto mesmo: calçados internacionais não pagam imposto! Em linguagem mais séria:

Containers trazem coleções importadas Foto: Divulgação
Sob o título o título “Danos da desigualdade tributária são claros. Não há mais o que analisar”, 41 entidades representativas da indústria e do varejo brasileiro, entre elas a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), assinaram nota conjunta tratando dos impactos da isenção das plataformas digitais internacionais em remessas de até US$ 50 (R$ 250).

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que, desde agosto passado, quando as plataformas internacionais passaram a ter isenção de impostos de importação, a indústria nacional vem perdendo espaço no varejo nacional.

Então, companheiras cinderelas: vai ser interessante ter que viajar para comprar uma bela sandália de veludo do Alexandre Birman ou um inovador tênis da Osklen, porque ninguém vai querer concorrer com quem não paga imposto. Nada contra os sapatos chineses, espanhóis, portugueses. Mas por que não pagam os tradicionais tributos?


Uma historinha:

Nos anos 1960 (ou até antes), os pescadores franceses usavam uma despretensiosa sandália estilo franciscana, de plástico. Alguns parisienses adotaram no verão. Logo, olheiros brasileiros trouxeram uma mala cheia, em vários tamanhos e cores, sob o olhar de desprezo da vendedora da rue St. Denis. De volta ao Rio, a mala encantou Sônia Galotta e Antônio Bernardo, na época donos do espaço Sônia Bernardo. Foi um furor de vendas, mas nem havia estoque na Europa para repor.

Lá no Sul, o Alexandre Grendene, industrial com maquinário para calçados injetados de plástico, olhou o Futuro com a perspectiva das cobiçadas sandalinhas.

Daí, nasceu a linha Melissa, macia, baratinha e perfumada. Já foi assinada por Georges Henri, Karl Lagerfeld, Thierry Mugler (não garanto os nomes, já faz uns 50 anos, hehehe).

E tem lojas e quiosques no mundo inteiro.

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