Moda e Estilo

Por Iesa Rodrigues

[email protected]

IESA RODRIGUES

Homens a sério ou cômicos

Publicado em 22/01/2024 às 11:20

Dior: sobriedade em tons de cinza Fotos: reproduções

De acordo com os desfiles masculinos realizados nestes quinze dias em Milão e Paris, os homens têm opções sérias, coloridas, revoltadas ou debochadas. Vamos a alguns exemplos (para mim, são adoráveis, porque representam mudanças. Já vou avisando que ai de quem falar mal do Pharrell Williams e do Rick Owens. Fico de mal) 

Armani: alfaiataria com inovação Fotos: reproduções
Sério: um dos lados da coleção Dior, assinada por Kim Jones. Tons de cinza, terno clássico repaginado, camiseta em V.

Também impecável, Armani, escolha certa para os indecisos.

Também a Prada, feita para o escritório, mas com cenário de piso de madeira. Trench coats, casacos de cashmere de abotoamento duplo, com ares marítimos


Marinho: Fora dos desfiles, o inglês Steven Stokey Daley mostrou o corta-vento amarelo, típico dos pescadores de alto-mar no salão Pitti Uomo, em Florença. Mas sua melhor novidade é a parceria com Harry Styles (Watermelon High!).

Silvia Venturini Fendi também reforçou a onda pescadora, já que sua inspiração veio do estilo de vida de mar e campo da Princesa Anne, que considera uma das mulheres mais bem vestidas do planeta. “Eu diria que ela é uma pessoa anti-fashion, e para mim, anti-fashion é muito fashion atualmente”, definiu Silvia.

Confesso que vejo verdade nisto.

Neil Barrett também pensou no estilo Balmoral, com seus tecno-tweeds, derivados das tradicionais tramas de teares britânicos.

Dolce &Gabbana: uma das coleções mais perfeitas da dupla italiana Fotos: reproduções

Festa: muitas versões de smokings! Além das marcas tradicionais: Brioni, Brunello, Cucinelli e Canali, outras em geral anticonvencionais como JordanLuca e Magliano também propuseram ternos variados. Em Dolce & Gabbana, a alfaiataria elegante substituiu a euforia das coleções. “Capitalizamos nesta linha pouco convencional para uma linha que respeita o trabalho dos nossos alfaiates”, comentou a dupla. Mesmo assim, há referências a Blade Runner e Matrix, perfeitas para atrair os jovens executivos. E não faltou a estampa de oncinha.

Louis Vuitton: visões do faroeste por Pharrell Williams Fotos: reproduções
Humor: quem mandou convocar um designer americano patriota? Pois a Louis Vuitton exibiu um estilo faroeste, de chapéu e botas. Por incrível que pareça que registrou este estilo foi um ucraniano nos anos 1950. Nada surpreende: não foi um austríaco o inventor das calças jeans, usadas pelos mineradores da California? Autoria da coleção masculina: Pharrell Williams, autor da musica “Happy”, DJ querido dos amigos da moda, figura certa nas filas A. 

Dior: a graça da semana, referências ao Monty Python, grupo cômico inglês Fotos: reproduções

Olha o Mont Python, inspirador de Kim Jones Foto: reprodução

Ainda melhor foi Kim Jones - sim, o dos looks sérios - que avisou nos textos que faria uma homenagem a fotos do bailarino Rudolf Nureyev. Que bailarino, que nada. Passaram bermudas esquisitas, sapatos com meias coloridas, lenços amarrados no alto da cabeça. Quem já riu com Cálice Sagrado ou O Sentido da Vida, lembrou dos figurinos doidos do grupo inglês Monty Python. Vai que vira moda? 

Zegna: fibras naturais, o melhor cashmere por Alessandro Sartori para Zegna Foto: reprodução
Laboratório: não basta ser elegante, ter cores impecáveis, ser real, ter o melhor cashmere. A linha Oasi, de Alessandro Sartori para a Zegna, representa a mistura de fibras naturais, tingimentos com linhas e funções com códigos que criam um sistema para libertar a interpretação de cada um. 

Rick Owens: não vale rir. Ele é um abrigo contra a intolerância. Portanto, tolerem! Fotos: reproduções
Refúgio: “sombria” foi a definição do Rick Owens para sua estranha coleção Porterville, nome da cidade na Califórnia onde nasceu e morou até 20 anos atrás, quando mudou para Paris. Para ele, este trabalho representa a intolerância que sofreu, apesar de reconhecer que a intolerância atual é muito pior. “Queria ser um refúgio. Um força anti-intolerância”

Corre nos guardados da avó e acha um broche! Pronto: ficou na moda Foto: reprodução
Enfim, peças avulsas, funcionais e clássicas talvez sejam a resposta para a demanda por uma aproximação com a sustentabilidade, o valor da longevidade e a evidente queda no consumo do luxo. Tanto LVMH e o grupo Kering relatam queda nas vendas, devido em parte à redução dos consumidores aspiracionais. A correção de rota em seguida ao boom de vendas pós-pandemia pode estar em ternos muito bem feitos, peças quentes e funcionais para as ruas do inverno, que tem sido rigoroso no hemisfério norte..

E uma pequena novidade, que pode virar mania: broches! Nada como ostentar um broche na lapela ou na camisa para estar bem vestido em 2024!

Tags: