SPFW, ao longe

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JB
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A edição 52 da São Paulo Fashion Week manteve a sabedoria de reunir apresentações online, filmes fashion e desfiles presenciais, também gravados. Desta forma foi possível acompanhar a agenda, ou a maior parte dela. Como sempre, há destaques, promessas futuras e ideias que fazem pensar, antes de decidir vestir. Ou como viver, admirando a coragem do Luciano Szafir de exibir a bolsa de ostomia na passarela, para conscientizar da prevenção contra a Covid-19, que resultou nesta sequela.

 

Macaque in the trees
Original, o estilo masculino do Silverio Brand, do projeto Sankofa (Foto: Fotosite / divulgação)

 

Nesta edição, denominada Regeneração, o projeto Sankofa prestigiou designers pretos. Entre os promissores (ou já no fluxo), a carioca Cintia Felix, o estilo masculino do Silverio Brand (muito original) e a AZ Marias, para plus sizes.
Entre os consagrados, com boas histórias – um elemento importante na moda atual, destaco três bons exemplos:


Ronaldo Fraga

 

Macaque in the trees
Extravagância visual na homenagem à indústria têxtil, feita por Ronaldo Fraga (foto: Ariana Eble, Vitor Eble e Jeann Frederico Mette) (Foto: divulgação)

 

Uma frase linda, do Ronaldo Fraga: “Roupa é memória vestida num tempo” Desde os teares antigos até as máquinas da tecnologia moderna, a indústria têxtil, antes dos produtos, garantia de empregos e renda. Este foi o tema da emocionante coleção Entre Tramas e Beijos,do Ronaldo, que mostrou looks masculinos e femininos em fashion filme. À primeira vista, são passagens conceituais, fantasiosas. Abstraindo os cabelos vermelhos, as sobreposições ousadas, as peças são lindas. Pelo uso dos tecidos homenageados, saídos das pesquisas e desenvolvimentos feitos na Renaux, em Santa Catarina, as histórias do Ronaldo conquistam e emocionam. Como sempre, aliás. Ronaldo merece uma coluna de memórias de seus desfiles – fica a promessa para breve.

 

Torinno

 

Macaque in the trees
Do terno branco ao impermeável amarelo, inspiração em L.A. e Dubai na Torinno (Foto: Fotosite / divulgação)

 


Desde 2017 Luis Fiod cria as coleções da sua marca, a Torinno. Antes, era stylist disputado, com influência na direção de criação de marcas alheias. A evolução para uma grife própria filtrou dados que levam a efeitos comerciais, fáceis de conquistar adeptos, sem perder o toque especial, personalizado. Nesta edição Fiod pensou no verão de Dubai e o lifestyle de Los Angeles. Ué, mas não era edição de inverno 22? Ora, não existem mais estes limites. Os modelos femininos e masculinos vestiram peças de alfaiataria misturadas com o informal esportivo, traduzindo em tecidos tão variados quanto o nylon, a seda, malha, jeans, tricô. “O luxo da Torinno não é de ostentação, é de um streetwear com conceito de design contemporâneo de alta qualidade”, define Luis Fiod. Três estampas enfatizam o objetivo de verão: as palmeiras com persianas, a siri e a logomania, todas exclusivas e assinadas pelo designer.

 

Lilly Sarti

 

Macaque in the trees
Modelos como Isabella Fiorentino desfilaram as estampas de PET da Lilly Sarti (Foto: Marcia Fasoli / divulgação)


O que atrai desejos de moda? Uma coleção bonita, versátil. Um espetáculo envolvente, que faz sonhar. Ou a identificação com as pessoas que vestem. O inverno 22 da Lilly Sarti vai desde as pinturas das cavernas pré-históricas (rupestres), às figuras de tigres. O lado sustentável já está garantido pelos fios de garrafas PET, regulados para diferentes texturas. A estampa desejo pode ser a das balinhas que a Lilly comprava quando ia ao cinema.

Muito bom o uso da forma do quimono, peça indispensável nas novas composições de vestir. Só um item me dá medo: o cós baixo de algumas calças. De novo, não!!

Ah: de quebra, para reforçar a identificação, Lilly convocou amigas, modelos e influenciadoras para desfilarem. Isabella Fiorentino, Monica Martelli e Cassia Avila integraram o elenco.

 

Macaque in the trees
Mule alta, assinada por Alexandre Herchcovitch e produzida pela Casa Eurico (Foto: divulgação)

 


Dois acessórios

Pelo jeito, segundo desfiles importantes como o da Lenny Niemeyer e a coleção da À la Garçonne, as mules muito altas vão torturar os pés fashion no ano que vem. A grande sacada é a parceria da Casa Eurico com a À la Garçonne, que garante os tamancos da moda para quem tem numeração 40 ao 43. As roupas tiveram inspiração nos filmes de terror, no workwear francês dos anos 1920 e nas formas dos anos 1970.

Nos óculos, o modelo imperdível é o Spectrum, na collab entre Hugo Galindo, da Zerezes (foto) e Marcelo von Trapp, da Von Trapp. Uma série limitada, cada um por R$ 540 e só vende a partir do dia 06 de dezembro, no site da Zerezes.

 

Macaque in the trees
. (Foto: .)

 

Nome diferente

O evento paulistano acrescentou a palavra Festival ao nome. Agora é Festival SPFW. Isto acontece em quase todos os eventos de moda no país _ já aconteceu no Dragão Fashion , de Fortaleza, que virou Festival Dragão Fashion – porque é preciso seduzir os patrocinadores. Um desfile de moda reúne no máximo, em geral, 700 pessoas nas salas maiores. Eventualmente pode ter uma plateia maior, dependendo do local da apresentação. Mas este número de pessoas é pouco para um grande patrocínio, é preciso acrescentar atrações como shows, gastronomia, palestras, que abrem espaço para quem não tem os convites dos desfiles. Quer dizer, circula um público maior no local.



Iesa Rodrigues
Original, o estilo masculino do Silverio Brand, do projeto Sankofa
Extravagância visual na homenagem à indústria têxtil, feita por Ronaldo Fraga (foto: Ariana Eble, Vitor Eble e Jeann Frederico Mette)
Do terno branco ao impermeável amarelo, inspiração em L.A. e Dubai na Torinno
Modelos como Isabella Fiorentino desfilaram as estampas de PET da Lilly Sarti
Mule alta, assinada por Alexandre Herchcovitch e produzida pela Casa Eurico
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