Lição de tendência

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JB
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Duas coleções de inverno e duas de verão atropeladas pela pandemia forçam a repensar seriamente como incluir a sustentabilidade e a proteção do planeta na criação de roupas e acessórios. Há várias maneiras de seguir a cartilha que salva o meio ambiente: desde o desenvolvimento e uso de tecidos produzidos a partir de resíduos, de garrafas pet (o resultado esquenta um pouco), produtos e processos como faz a Osklen, dentro do projeto e-brigade, convocar comunidades para a confecção, explorar o upcycling (renovar peças antigas ou usadas), repetir modelos em coleções. Plantar árvores, como faz a Farm. Por enquanto, as pesquisas apontam que os consumidores millenials (nascidos entre 1980 e 1995) gostam de saber quem fez a roupa, de que é feita, de onde veio. As etiquetas devem contar estas histórias.

Macaque in the trees
Grande bolsa casual em descarte de couro listrado, um dos 12 modelos da Volta (Foto: divulgação / Alex Korolkovas)

 

Um bom exemplo
Fernanda Daudt criou a Volta, marca de acessórios com senso de consciência ambiental. Suas bolsas reaproveitam descartes de couro do Rio Grande do Sul. Segundo Fernanda, esta é a situação atual: 

Macaque in the trees
Fernanda Daudt comanda a produção, direto de Nova York (foto divulgação) (Foto: divulgação)

"O descarte é uma falha de design, uma obsolescência programada. O mundo não comporta mais isso. As novas gerações querem consumir de outra maneira. Estamos alinhados com os princípios de desenvolvimento sustentável da ONU. Como consultora na Assintecal, eu visitava diversas fábricas na China e sempre havia aquela montanha de resíduos nos fundos. Era muito impressionante."

 

Macaque in the trees
Duas artesãs que produzem as bolsas: Artune Levell e Maude Jules (Foto: divulgação / Alex Korolkovas)

Por enquanto, a Volta Atelier lança 12 modelos de bolsas que utilizam o mínimo de metais, todas feitas à mão por mulheres refugiadas em situação de vulnerabilidade social. "Nossa ideia é treinar esse grupo para trabalhar também para outras marcas. Não temos um discurso paternalista, não estamos aqui para salvar ninguém. Pelo contrário, são elas que nos empoderam”, acrescenta a designer, que entrou em contato com Centro de Atendimento ao Migrante, uma ong que ajuda estas mulheres a se estabelecerem. Com treinamento, Fernanda descobriu ótimas artesãs.

 

Macaque in the trees
Pochetes e grandes sacolas fazem parte das coleções vendidas em vários países (Foto: divulgação / Alex Korolkovas)


Moderna de vez
Todo este processo de busca da sustentabilidade inclui o espírito atual da globalização: Fernanda Daudt comanda a Volta Atelier de Nova York, usa restos de couros do Rio Grande do Sul e trabalha com artesãs de comunidades brasileiras e ongs de migração internacionais. De Nova York, organiza o fluxo dentre os couros e a produção, onde todas as bolsas são assinadas pelos nomes das artesãs nas etiquetas. E tem mais mundo: a Volta está presente nos Estados Unidos, Porto Rico, México, Japão, Brasil e on-line. Em Nova York o endereço é a Flying Solo, showroom coletivo no SoHo. As bolsas custam de 160 dólares a 380 dólares (de R$ 813 a R$ 1931)
No Brasil as bolsas da Volta Atelier são encontradas na plataforma @2collab. www.voltaatelier.com @voltaatelier 



Pochetes e grandes sacolas fazem parte das coleções vendidas em vários países
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Grande bolsa casual em descarte de couro listrado, um dos 12 modelos da Volta
Fernanda Daudt comanda a produção, direto de Nova York (foto divulgação)
Duas artesãs que produzem as bolsas: Artune Levell e Maude Jules