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Renato Mauricio Prado

Fla vence. Apesar de Barbieri

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O técnico Maurício Barbieri é incrível! Até em um dia em que o Flamengo consegue uma vitória importantíssima, sobre o Atlético Mineiro, diminuindo para três pontos a distância para o líder São Paulo, ele consegue desagradar a torcida, com escolhas e decisões, no mínimo, discutíveis. Diria eu, escalafobéticas.

De cara, a escalação: por que começar com Matheus Sávio, jogador que repetidamente tem se mostrado inútil tanto no ataque quanto na recomposição do meio-campo? Será ele um “leão de treino”, aquele tipo de atleta que arrasa nos treinamentos, mas no jogo de verdade desaparece?

Como, nos dias de hoje, todas as práticas são secretas, nem dá pra saber. Mas até as balizas do Ninho do Urubu sabem que Matheus Sávio irrita profundamente a torcida e, jogo após jogo, não consegue justificar sua entrada em campo. Pra que insistir com alguém que já é vaiado no primeiro tempo? Não dá pra entender.

Com mais uma atuação medíocre, Sávio foi substituído por Vitinho, no intervalo. E o que houve meia hora depois? Barbieri tirou o reforço mais caro da história do clube e colocou em seu lugar Marlos Moreno! Vitinho não entrou bem? Não. Mas até com uma das pernas amarradas é melhor e mais perigoso nos contra-ataques que o Cafuringa colombiano! O que pretendia o estagiário?

A maior lambança, porém, tinha sido feita, um pouco antes. Aos 26 minutos – vou repetir: 26 minutos do segundo tempo -, com o Flamengo bem no jogo, podendo marcar o terceiro gol e liquidar a fatura, o treinador rubro-negro sacou o centroavante Henrique Dourado (outra escolha bizarra para titular) e pôs em campo o volante Piris da Motta. Ou seja: covardemente, recuou o Fla e entregou o campo ao adversário.

A partir daí, só o Atlético Mineiro jogou. E o gol de empate não saiu por sorte dos rubro-negros, que levaram até bola no travessão, no último lance da partida. Os maiores méritos da importante vitória rubro-negra foram de jogadores como Lucas Paquetá (enfim, voltando a atuar muito bem), Éverton Ribeiro, Cuéllar, Willian Arão (outro que está recuperando a antiga forma) e o lateral-esquerdo Trauco – que nunca entendi o motivo de ser reserva do limitadíssimo Renê.

Se Barbieri o escalou para poupar o titular, pensando no jogo de quarta-feira, contra o Corinthians, atirou no que viu, acertou no que não viu. O mínimo que se espera agora é que mantenha o peruano para a segunda partida da semifinal da Copa do Brasil. Apesar de certa deficiência na marcação, ele é disparado o melhor lateral do elenco. O único que sabe apoiar e cruzar com perfeição. Não à toa, os dois gols de ontem nasceram de seus pés. O primeiro, de Arão, numa jogada espetacular, chegando ao fundo e cruzando rasteiro, para trás. O segundo, com um passe perfeito, pelo alto, na cabeça de Paquetá.

Não dá pra saber que escalação o estagiário mandará a campo na quarta-feira contra o Corinthians, jogo importantíssimo, que pode levar o Flamengo à sua primeira final na temporada. Pelo que os centroavantes não conseguem fazer (muito por causa do esquema de muita gente rondando a área, mas ninguém encostando no pobre coitado), a melhor formação, com a volta de Diego, pode ser com Paquetá avançado e Arão ao lado de Cuéllar. Do lado esquerdo, Trauco na lateral e (apesar de ainda não estar bem entrosado) Vitinho no ataque.

Em suma: Diego Alves, Rodinei (ou Pará, tanto faz), Réver, Léo Duarte e Trauco; Cuéllar, Willian Arão e Diego; Éverton Ribeiro, Lucas Paquetá e Vitinho. Não pode ser muito diferente disso.

Vê se não inventa, estagiário! Ou a sua cabeça ainda pode rolar...

Brilha a Estrela

Ganhar do Vitória, no Barradão, nunca é tarefa fácil. Pois o Botafogo conseguiu, fazendo quatro gols no time de Paulo César Carpegiani. Sofreu três, é verdade, mas venceu de virada, depois de ter saído perdendo com um gol relâmpago dos baianos. Somou assim três pontos importantíssimos na luta contra o fantasma do rebaixamento, saltando para a décima primeira posição. A equipe de Zé Ricardo precisa ainda de pelo menos mais 13 pontos, nas 13 rodadas restantes. Mas se continuar jogando com o coração na ponta da chuteira, como ontem, pode escapar.

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Mais um craque no céu

Perdi ontem uma das minhas referências no jornalismo. Marcos de Castro era um dos excelentes redatores da espetacular equipe de esportes do Jornal do Brasil, quando lá comecei, como estagiário, no longínquo ano de 1976. Me chamava de Renatinho e a cada texto meu que lhe caía nas mãos para copidescar (ler, corrigir e titular), aproveitava para me dar inestimáveis lições de gramática, estilo, jornalismo, enfim. Sempre com um tom de voz tranquilo e amigável. Um gentleman e um mestre.

Seu magnífico livro “Gigantes do Futebol Brasileiro” (em parceria com outro cracaço do texto, João Máximo) é até hoje uma bíblia do esporte e da imprensa esportiva. E como se não bastasse seu brilhante trabalho em todas as redações pelas quais passou (e foram tantas), Marcos ainda nos legou dois filhos jornalistas, craques como ele: Emanuel e Lúcio, com os quais tive também o prazer de trabalhar.

Descansa em paz, meu amigo. E muito obrigado por tudo.



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