Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Caminhando na prancha

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Em condições normais, o Flamengo deveria poupar a maioria de seus titulares no jogo de hoje, contra o Atlético Mineiro, no Maracanã. Afinal, na próxima quarta-feira, irá a São Paulo decidir com o Corinthians (que não foi capaz de derrotar, no Rio) uma vaga na final da Copa do Brasil, título que pode lhe dar muito mais dinheiro do que o Campeonato Brasileiro e está bem mais próximo e palpável.

No entanto, desde o extremamente desgastante (e desastroso) mês de agosto, o caminho traçado pelo treinador Maurício Barbieri, assessorado por sua comissão técnica e pelo controverso Centro de Excelência e Performance do clube é outro – o oposto do que tem feito o Palmeiras, o Grêmio e o Cruzeiro, três de seus companheiros de maratona, que não hesitam em mandar equipes reservas a campo, nas vésperas de jogos importantes pela Libertadores ou pela Copa do Brasil.

É bem verdade que, ao contrário do que têm conseguido seus competidores (principalmente o Verdão), o Fla fracassou rotundamente nas poucas vezes em que escalou os suplentes – vide a derrota para a Chapecoense, antes mesmo da Copa. E o empate do São Paulo, ontem, com o América Mineiro, em pleno Morumbi, abriu uma boa possibilidade de encurtar a diferença para o atual líder para apenas três pontos (dependendo do resultado do Internacional).

Seja como for, a verdade é que o Mais Querido joga praticamente a sua sorte no ano, nas duas próximas partidas. Se perder do Galo, desperdiçando mais uma oportunidade de voltar a encostar nos líderes do Brasileiro (o que já poderia ter feito, se tivesse vencido o Vasco), e for eliminado na Copa do Brasil, a temporada rubro-negra se caracterizará um fracasso – ainda mais levando-se em conta o tamanho do investimento feito no futebol.

E o pior para Barbieri é que, mesmo que vença hoje e se classifique, na quarta-feira, continuará caminhando na prancha do navio pirata, de onde só sairá com o caneco da Copa do Brasil ou do Brasileiro. Caso falhe, nem o agora quase sempre ausente Eduardo Bandeira de Mello será capaz de impedir que o joguem aos tubarões.

Profetas de araque

Quando o São Paulo derrotou o Flamengo, no Maracanã, na primeira partida pós-Copa, e pouco depois assumiu a liderança do Brasileiro, muita gente começou a alardear que o tricolor paulista dispararia para o título; que Nenê e Diego Souza eram os craques do campeonato; que Everton (vindo do Fla) era a valiosa peça que faltava no elenco etc., etc. Pois nas últimas cinco rodadas, o time dirigido por Diego Aguirre venceu apenas uma vez, perdeu outra e empatou três.

É claro que ainda pode ganhar o Brasileiro. Mas saiu de campo vaiado, ontem, do Morumbi. Porque, como todos os outros times daqui, é irregular e tecnicamente limitado. Não dá para fazer previsão antecipada favorável a ninguém. E, seja qual for o campeão, estará a anos-luz de ser um timaço.

Na beira do abismo

Se for derrotado pelo Vitória, hoje, no Barradão, o Botafogo pode acabar a rodada na zona de rebaixamento. É um jogo especialmente complicado porque o adversário tem evoluído sob o comando de Paulo César Carpegiani e conseguiu três vitórias nas últimas cinco rodadas.

O Glorioso vem de uma derrota para o Bahia, pela Sul-Americana, mas como fez um gol fora, manteve boas possibilidades de classificação – basta ganhar por 1 a 0, no Rio. O problema maior é mesmo a proximidade do Z-4, no Brasileiro. Por isso, Zé Ricardo deve adotar um esquema ainda mais cauteloso, logo mais. Um pontinho será extremamente bem-vindo.

 

Show de tênis

Sensacional a Laver Cup, competição de tênis entre os times da Europa e do Resto do Mundo, disputada este ano em Chicago e organizada pela empresa de eventos esportivos de Roger Federer. Na edição do ano passado, a primeira, já tivemos a oportunidade de ver o suíço jogar dupla com Rafael Nadal. Agora, ele jogou com Novak Djokovic – e não somente perdeu como tomou uma baita bolada do sérvio, nas costas, num lance casual que levou todos às gargalhadas.

Absurdo maior

Não atentei para esse detalhe na entrevista coletiva de Tite, mas leio agora, nos sites, que o treinador disse só não ter convocado Gabigol para não prejudicar a briga do Santos por uma vaga na Libertadores. Hein? Como ele tem a cara de pau de dizer isso, tendo chamando Everton Cebolinha (o único da lista em atividade no Brasil) e, consequentemente, o tirado do jogo do Grêmio contra o Palmeiras? Por acaso, o tricolor gaúcho também não está brigando pela mesma coisa – e até pelo título brasileiro? Tite enlouqueceu ou resolver escancarar a forma como privilegia o clube do ex-presidente Marco Polo Del Nero, que ainda manda e desmanada na CBF?

Fúria insana

No colérico Fla-Flu que antecede as eleições, vejo amizades de uma vida inteira sendo desfeitas por posições ideológicas antagônicas. Quanta insensatez! Não há político que valha um amigo.

 



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