Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Hora de fazer contas

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O Fluminense precisa de cerca de 15 pontos, nas últimas 13 rodadas, para espantar de vez o fantasma do rebaixamento que, vira mexe, o assombra. As falhas de sua defesa, na derrota para o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada, voltaram a acender uma luz amarela nas Laranjeiras, pois a diferença para o Z-4 diminuiu e a qualidade do time não permite que a torcida tricolor durma tranquila. Ainda mais sem o centroavante Pedro, que não se sabe ao certo quando poderá voltar aos gramados.

Nos últimos cinco jogos, no Brasileiro, o Flu perdeu duas vezes, empatou outras tantas e só venceu uma. Agora, no meio da semana, viaja para o Equador, para enfrentar o Deportivo Cuenca, pela Sul-Americana. É a sua última oportunidade de conquistar um título em 2018, mas pode ser também um complicador na luta contra o rebaixamento, pelo desgaste que causará aos jogadores.

O aproveitamento de Marcelo Oliveira é muito semelhante ao de seu antecessor, Abel. É preciso melhorar ao menos um pouco ou o sofrimento se estenderá até as últimas rodadas.

Mãos abanando

Arena da Baixada, falta para o Atlético Paranaense, próxima ao bico da entrada da área do Flu. Uma daquelas que o Fla bate mil vezes em cruzamentos altos que não dão em nada. Barreira armada, o que faz o jogador atleticano? Bate rasteirinho para um companheiro que penetra na área, pelo lado direito, e cruza a bola, rente ao gramado, para três parceiros, entrando livres, na cara do goleiro. Gol! Jogada ensaiada, simples e eficiente. Coisa que o estagiário que dirige o time de maior torcida do país se mostra absolutamente incapaz de criar no rubro-negro.

O Flamengo do pós-Copa, que teve tempo de sobra para treinar durante o Mundial, voltou muito pior que antes. Constata-se agora que sua única arma ofensiva realmente efetiva estava no talento de Vinícius Jr. Sem o moleque, a batida tática do chuveirinho voltou a imperar, com sua conhecida e altíssima taxa de ineficiência. Mais grave, a equipe, antes bem postada na defesa, passou a exibir preocupante fragilidade na zaga, o que já lhe custou a eliminação na Libertadores e derrotas humilhantes como a de 1 a 0 para o Ceará, então vice-lanterna da competição, em pleno Maracanã.

A impressão que fica é que a coisa desandou no Ninho do Urubu. Os jogadores protegem a comissão técnica, mas não encontram soluções, dentro de campo; enquanto o técnico, perdido, não as enxerga, fora dele. Junte-se a isso a proverbial ignorância futebolística dos que dirigem o departamento de futebol, queridinhos do presidente, outro neófito do mundo da bola, e o resultado é o que aí está.

Uma verdadeira fortuna gasta em contratações (R$ 68 milhões somente este ano) e em folha salarial (R$ 11 milhões por mês) para não ganhar nada, rigorosamente, nada. Nem o mísero e desvalorizado carioquinha.

Ah, mas ainda há chances na Copa do Brasil e, quem sabe, até no Brasileiro, argumentarão os eternos otimistas (mais correto seria chamá-los de iludidos). Com a bolinha murcha que o rubro-negro vem jogando e com o time em queda livre na tabela, temo que o cenário mais provável seja de mãos abanando e talvez até sem vaga na Libertadores no final do ano.

Ou o Flamengo toma alguma atitude drástica para reverter a atual situação, ou o fim da administração Bandeira de Mello será melancólico.

Vitória importante

O Botafogo não jogou bem, longe disso, mas conseguiu importante vitória contra o América Mineiro, no Nílton Santos. Conseguiu assim um alívio momentâneo na luta contra o temido Z-4 e garantiu um mínimo de tranquilidade para a partida do meio de semana contra o Bahia, pela Sul-Americana. Mas para que possa sonhar com o título internacional e afastar de vez o fantasma do rebaixamento, o técnico Zé Ricardo ainda precisará fazer o alvinegro melhorar muito – o que, diante da fragilidade do elenco pode ser visto quase como realizar um milagre. O Glorioso ainda erra demais e não inspira nenhuma confiança à torcida, que se irritou, com razão, com o péssimo segundo tempo jogado ontem.

Disparou

Lewis Hamilton manteve a ponta, na largada, e não tomou mais conhecimento dos adversários, no GP de Singapura. Como previsto, não houve ultrapassagens entre os primeiros e Sebastian Vettel, que conseguira passar Max Verstappen, na primeira volta, acabou devolvendo a posição, graças a uma tática infeliz da Ferrari, antecipando demais a sua troca de pneus e ainda optando equivocadamente por um composto ultramacio, o que lhe tirou a competitividade no terço final da prova.

Com a vitória, a sétima na temporada (contra cinco de Vettel), Hamilton abriu quarenta pontos de vantagem sobre o alemão e caminha a passos firmes para a conquista do pentacampeonato – que também é o objetivo de seu maior rival. O que dói mais em Sebastian é que, no momento, a Ferrari é, reconhecidamente no circo da F-1, um carro mais veloz e confiável do que a Mercedes.

Aos 32 anos, com 62 vitórias e a caminho de seu quinto título, Lewis Hamilton parece ter fôlego suficiente para quebrar os fantásticos recordes de Michael Schumacher: 91 vitórias e sete títulos mundiais. Por enquanto, a única marca superada por Lewis é a de poles: 72 para o inglês contra 68 do alemão. Tricampeão mundial, com a carreira tragicamente abreviada no seu auge, Ayrton Senna fez 61 poles e ganhou 41 corridas.

 



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