Uma homenagem no tom certo
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Hoje trataremos do álbum Os Escafandristas Cantam Chico Buarque (Biscoito Fino). No alto de seus 82 anos, Buarque merece que o máximo de registros de sua obra sejam trazidos a público. Quantos mais vierem, melhor se revelará o que seus colegas de profissão conhecem dele. Missão difícil, mas os Escafandristas deram o seu jeito.
O uníssono surpreende, porque as vozes se ajustam umas às outras, embora cada qual tenha um timbre definido. Os arranjos impõem que se adequem entre si. Um quarteto vocal dos bons! Nas canções mais delicadas, como “Morena dos Olhos D`Água”, o solo vem suave numa voz feminina. Em “Construção”, os violões conduzem o arranjo; terças se abrem aqui e ali; homens e mulheres intercalam solos; a levada cresce e tudo se mostra ainda mais simbólico; a percussão acompanha o affrettando que leva ao final. A vocalização de “A Ostra e o Vento” sinaliza o cuidado que o quarteto tem com tal recurso que os caracteriza; uma flauta pontua acordes, enquanto as vozes femininas se alternam em duos e solos.
“Futuros Amantes” inicia com um duo feminino e masculino em cânone; o violão traz a harmonia buarqueana. A força de “Assentados” vem com a percussão marcando o ritmo; o sentimento flui nas vozes uníssonas; terças abrem e levam a saga à frente. Notas soltas do baixo iniciam “Brejo da Cruz”, com participação da voz de Giuliano Eriston; logo o vocal vem na dinâmica do arranjo. “Cotidiano” inicia com um cânone; novamente a corda do baixo se incube do ritmo; o canto vem com a voz em terças com o baixo; e as vozes seguem ecoando o dia a dia. “Tempo e Artista” soa arritmo; os solos abraçam os versos de Buarque; suavemente as vozes abrem em sólida afinação.
E vem “O Que Será, Que Será – A Flor da Terra”: com o ímpeto que a caracteriza como um marco na história da música brasileira, lá estão os Escafandristas para tratá-la com o ardor que têm; arritma, a flauta acompanha o solo masculino. Logo o coro se forma para retransmitir a alma do compositor e Rui Guerra declama os versos, como fez na primeira gravação da música; o uníssono das vozes femininas traz o canto com o ritmo. A seguir, “A Volta do Malandro” rola assoviada; uma voz feminina assume o solo e o leva até que o quarteto se ajunte para seguirem cantando; e Chico se achega para uma breve participação.
O amor brota em “Minhas Meninas”, escolhida para fechar a tampa. E fecham com tudo o que marca o pai das meninas, um homem que busca dentro de si toda a humanidade necessária para ser o espelho de uma nação cuja maioria o ama como ama a cada um de seus próprios filhos.
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica:
Idealização: Alice Passos; direção musical: Thiago Amud; direção artística: Alice Passos; produção: Escafandristas; formação: Alice Passos (voz, flauta, violão e percussao), Luisa Lacerda (voz e violão), Renato Frazao (voz e baixo) e Thiago Amud (voz e violão).