Dicas do Aquiles

Por Aquiles Rique Reis

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DICAS DO AQUILES

Viva a música brasileira de Norte a Sul do país!

Publicado em 17/02/2024 às 10:38

Alterado em 17/02/2024 às 11:17

[Zeca Torres] Capa do CD Foto: reprodução

Um salve a todas e todos que leem este comentário escrito em plena terça-feira de carnaval! E aí, curtiram a festa? De minha parte, devo dizer que, como venho fazendo há alguns bons anos, pulei o carnaval... é, fui do sábado direto pro final de semana seguinte. Rsrsrs! Mas fiquei ligado à televisão nos desfiles das escolas de samba – cês tão pensando que eu não sou bobo, né? E segura essa: “Será que quem passa o carnaval no sofá pode ser considerado um ‘mestre sala’?” Vixe! E eu sei lá... Evoé!

Mas agora vamos a Zeca Torres 50 anos – Parcerias, o novo álbum deste mineiro de BH também conhecido como Torrinho, nascido em 1955 e radicado em Manaus desde 1968.

Suas músicas têm a delicadeza das Minas Gerais e o vigor da Amazônia – suaves como a brisa que varre o céu e o torna azul em folha. Basta ouvir, por exemplo, a faixa que abre a tampa, “Águas de Banzeiro” (Zeca Torres e Leandro Dias). Zeca canta com boa voz de compositor e toca violão de náilon. A flauta de Claudio Abrantes pontua o arranjo (este e todos os outros são de Zeca e Neil Armstrong Jr.), enquanto a leve percussão de João Paulo embala o balanço. Bela abertura!

Já em “Um Concerto” (ZT e Mauro Aguiar), Zeca divide o canto com Lucilene Castro. A levada do baião os encontra seguros e suingados. A viola de doze de Neil Armstrong Jr, mais o baixo de Sérvio Tulio, a percussão de João Paulo e o acordeom de Danilson Sampaio, criam atmosfera prazerosa para quem os ouve.
Outra grande composição de Zeca, esta em parceria com Anibal Beça, é “Toda Palavra”*. Na abertura, Zeca recita alguns versos. Logo vem a harpa de Normi Melo, em participação discreta, mas muito bonita. A flauta de Claudo Abrantes também se destaca no bom arranjo, enquanto o baixo acústico de Sérvio Tulio a todos agrega e Nilson Chaves divide o canto com Zeca.

“Uma Valsa”** (ZT e Mauro Aguiar) é belíssima! Neil Jr. toca violão de seis e de sete cordas, Sérvio Tulio está no baixo acústico e Claudio Abrantes, mais uma vez, faz de sua flauta protagonista do arranjo.
A tampa fecha com “Porto de Lenha” (ZT e Aldisio Filgueiras) que, considerada um hino extraoficial de Manaus, foi a unica música do álbum produzida fora desta cidade. Gravada no Rio de Janeiro, conta com belo arranjo vocal e instrumental de Paulinho Pauleira (MPB4) e com ótima participação do grupo vocal Subversos, do Rio de Janeiro.

Foi um prazer ouvir Zeca Torres cantando as suas músicas, que são referências no Norte do Brasil. No mais, é como diz o conterrâneo de Torrinho, o mineiro Fernando Brant, em “Notícias do Brasil”, parceria com Milton Nascimento: “(...) A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus/ João Pessoa, Teresina e Aracaju/ E lá do Norte foi descendo pro Brasil central/ Chegou em Minas, já bateu bem lá no Sul (...)”.

Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós. Abriram-se os caminhos

* 'Toda Palavra'


** 'Uma Valsa'

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