Salve, Chico Lobo!

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JB
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Hoje é dia de O Tempo é Seu Irmão (Kuarup), o recém-lançado álbum do violeiro mineiro, compositor e cantador Chico Lobo – o cara é bão demais da conta, por isso não resisto à tentação de lhes mostrar como ele é reconhecido em sua (nossa) terra: segundo o release, ele foi “consagrado em 2021 com seu 4º prêmio no Profissionais da Música na categoria Melhor Artista Raiz Regional e homenageado com a Medalha de Honra 2021 da Universidade Federal de Minas Gerais pela sua relevante atuação na cultura e sociedade”. É mole ou quer mais?

Bem, seu novo trabalho tem composições inéditas, suas em maioria, além de parcerias com Edmundo Bandinelle, Eudes Fraga, Jorge Nelson, Carlos Di Jaguarão e Thales Martinez.

 

Macaque in the trees
Capa do CD de Chico Lobo (Foto: reprodução)

 

Para coroar o 27º disco da sua carreira – é, gente, a produção do Lobo só faz crescer em boniteza e predicados –, o cantador se ajuntou com outros colegas, gente que lhe é importante toda vida: Luiz Caldas, Kleiton & Kledir, Tetê Espíndola e Sérgio Andrade, da Banda de Pau e Corda.

O grande Chico Lobo sempre prezou pela qualidade instrumental de seus discos, a todos dedicando a atenção que se dá a um filho pequeno. Neste CD recém-nascido, estão com ele gente iluminada pelo farol da criatividade. Então vejamos: a produção é de Ricardo Gomes, parceiraço na percepção da obra de Lobo, que com suas atiladas finuras criativas e seus multi-instrumentos (baixos, violões, teclados) deu a base necessária para o violeiro se esbaldar. E como!

“Madeira” (Chico Lobo) é como cartão de visitas soando com a cara do autor. Além de tocar suas violas estreladas, Lobo é cantador dos bons. O tema é relevante total: “E tomba madeira de lei/ Nas entranhas do país/ Chora de dor a floresta/ Por essa cruel cicatriz.” A levada, carregada de sentimento, revela um compositor sintonizado em seu tempo.

“Sementeira” (Eudes Fraga e Chico Lobo) tem participação mais do que adequada do cantor baiano Luiz Caldas. A melodia do grande compositor cearense Eudes Fraga é bela como vigoroso é o som das violas de Lobo. “Sementeira” é um batuque contagiante, movido a pitadas de samba de roda baiano. Caldas e Lobo cantam, deitam e rolam na festa.

“Lua e Sol” (Chico Lobo) tem Tetê Espíndola dando show – meu Deus, faz tempo eu não a ouvia! A música é bela. Ao lado de Tetê, Lobo canta emocionado. Juntos se entregam aos versos sertanejos: “E sempre haverá na luz da lua/ Um rastro diferente/ Um lume de esperança nos meus olhos/ Beleza que me faz querer sonhar”.

“O Tempo é Seu Irmão” (Chico Lobo) foi composta por Lobo para seu filho Mateus – como toda criança, Mateus sofreu as limitações impostas pela covid-19. Seguido pelo violino (Marcelo Fonseca), Lobo dedilha sua viola com rigor desprendido em forma e conceito musical. Meu Deus do céu, que levada supimpa!

Enfim, eis o Lobo em mais uma jornada de pura beleza e sabedoria. Bom saber que ele e sua viola estão sempre presente em nossas vidas de amantes da música popular brasileira. Salve Chico Lobo!

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4 desde 1965

 



Capa do CD de Chico Lobo
Aquiles Rique Reis


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