Canções de Amor – Vol. 2
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Nestes dias, meses, de tensão máxima por causa dessas eleições marcadas por medo e desespero, que vai nos consumindo sem dó e piedade, tenho buscado momentos para descansar a mente e a alma. É quase um exercício de sobrevivência.
Nas últimas semanas, tenho acordado e colocado Johann Sebastian Bach para tocar antes de começar o dia. Tenho escolhido principalmente algumas partes de sua maravilhosa obra interpretadas por violonistas, antes da adrenalina das notícias preocupantes começarem a romper a barreira que protege a minha paz, que tenho lutado para manter.
Confesso que, até o início da semana, não tinha a menor ideia do tema para essa coluna. Nada me agradava e empolgava. Até que, bem cedo, procurando o que iria colocar para ouvir enquanto preparava o café, Detalhes, de Roberto Carlos, surgiu, tocando baixinha, em um vídeo com letra e música. E, mais uma vez, a canção me transportou por todo aquele ambiente urbano, nostálgico, bem setentista, que o cantor descreve em seu, talvez, maior e mais impactante sucesso.
E, depois que Detalhes chegou ao fim, veio o clique. Resolvi preparar o Canções de Amor 2, citando, entre centenas de minha preferência, 10 canções nacionais românticas como sugestão de uma playlist de consumo próprio e de sugestão aos leitores, com curtos comentários sobre cada uma.
As 10 estão aí embaixo.
Lado A
Detalhes – Roberto Carlos. Álbum: Roberto Carlos – 1971
O início dos anos de 1970 marcou o começo da fase mais adulta dos álbuns e das canções de Roberto. Esse álbum sem título, só com o nome do Rei, ficou conhecido também como Detalhes, a canção que, talvez, seja a mais famosa do cantor e ainda ecoa por todo o país mais de meio século depois.
O "outro cabeludo" mencionado na letra, dizem, trata-se de Tarso de Castro, famoso jornalista que, durante anos, recebeu a fama de Don Juan que traçava todas as beldades no circuito da Zona Sul carioca: modelos, cantoras, atrizes brasileiras, americanas e francesas. E, pelo que dizem os fofoqueiros de plantão, roubou uma das grandes paixões de RC na época.
Nada Por Mim – Marina Lima. Álbum: Todas – 1985
A canção, música e letra, é do Herbert Vianna, cantor e guitarrista do Paralamas, e mais uma composta inspirada nos dramas do relacionamento com a cantora Paula Toller, do Kid Abelha, durante os anos de 1980. Nada Por Mim, na voz rouca e sensual de Marina, explodiu e ficou meses no topo das rádios FM, ajudando nas vendas do ótimo álbum da cantora.
As Dores do Mundo – Hyldon. Álbum: Na Rua, na Chuva, na Fazenda – 1975
Essa canção é um dos grandes sucessos da carreira de Hyldon que, na metade dos anos de 1970, buscava, desesperadamente, gravar um álbum e ganhar algum dinheiro. E a oportunidade surgiu, mas o músico e cantor só pôde utilizar o estúdio apenas durante 1 dia. Foi o suficiente para o que foi produzido e lançado se transformasse em um clássico, grande sucesso de vendas e execução nas rádios.
Mentiras – Adriana Calcanhotto. Álbum: Senhas – 1992
Depois do fracasso do seu primeiro álbum, Enguiço, lançado em 1990, Adriana tomou para si as rédeas da carreira e da escolha do repertório na gravação de Senhas, utilizando temas mais autorais, com ares mais melancólicos, de dores dos relacionamentos mal resolvidos. Mentiras simboliza tudo isso. E é um dos maiores sucessos da gaúcha.
Pérola Negra – Luiz Melodia. Álbum: Pérola Negra – 1973
Du-vi-d-o-dó encontrar alguém que não goste de Pérola Negra, grande sucesso de Melodia que, infelizmente, não está mais entre nós.
Lançada no seu primeiro álbum, e que se transformou em clássico do Pop e da MPB, que leva o nome dessa canção única, em forma e conteúdo. Ainda hoje nunca ouvi nada parecido com essa obra-prima. Pérola Negra também estourou na incrível interpretação de Gal Costa.
Lado B
Impossível Acreditar que Perdi Você – Márcio Greyck. Álbum: Corpo e Alma – 1971
Quem disse que canção brega não pode ser bonita? E essa balada de gigantesco sucesso de Greyck, que dominou as rádios AM no início dos anos de 1970, é muito, mas muito bonita. Com arranjo simples, baseado em acordes de piano que dão o ritmo suficiente para a voz melancólica do cantor exibir o inconformismo por um amor perdido.
Certas Coisas – Lulu Santos. Álbum: Tudo Azul – 1984
Certas Coisas, lançada no álbum que, definitivamente, marcou Lulu Santos como um dos principais artistas da música pop nacional de todos os tempos, naquela metade dos anos de 1980, tinha absolutamente tudo, em letra, música, arranjo sofisticado, que o público da época aguardava da nova geração musical que dava seus primeiros passos naquele final de ditadura militar. Em parceria com Nelson Motta, Lulu iniciava, no seu segundo álbum, uma trajetória de sucesso inabalável e o que, parece, nunca terá fim.
Travessia – Milton Nascimento. Álbum: Milton Nascimento – 1967
Impressionante como o sentimento que tenho quando ouço Travessia é o mesmo daquele de quando a ouvi pela primeira vez, ainda criança, na pequena Jerônimo Monteiro, cidade do interior do Espírito Santo onde nasci.
A voz inigualável de Milton ecoando ao se despedir da vida, partindo por uma estrada que não o trará de volta, é, sem dúvida alguma, uma das partes mais belas e tristes da música popular brasileira.
Um Girassol da Cor do Seu Cabelo – Lô Borges. Clube da Esquina – 1972
Talvez a canção com símbolos mais hippies da música brasileira. O arranjo dessa obra-prima de Lô Borges, porém, não tem nada daquelas canções que marcaram a geração de San Francisco e de Woodstock no final da década de 1960. Ela navega pela sonoridade caipira e modernista que já tomava conta dos novos artistas que surgiam pelas cidades e campos de Minas Gerais.
Drão – Gilberto Gil. Álbum: Um Banda Um – 1982
Uma canção de um fim de amor composta por Gilberto Gil só poderia mesmo ser uma canção com a cara de Gilberto Gil. Uma canção com ritmo, compasso e letra que toca e canta a esperança quando tudo parece triste no fim de um relacionamento. Obra-prima.
Obs.: Não utilizo IA – Inteligência Artificial para escrever os meus textos para a coluna.