☰
✕

No rastro da campanha

Por

A campanha eleitoral, prestes a terminar, eleitos o novo presidente da República e alguns governadores, vai deixar, nas pegadas, certas indagações importantes, sejam quais forem os números que as urnas denunciarão no domingo. A primeira questão que se levanta é sobre a sobrevivência dos partidos políticos como tais. Salvo exceções, na disputa que chega ao fim pouco significaram, diluídos e transformados em grupos ou correntes, à procura de espaços convenientes, com raros sinais de identidade própria; da mesma forma, carentes de conteúdo ideólogo.

Há duas legendas em cena. Mas, ainda assim, cabe lembrar (a eleição do primeiro turno nada mais fez que confirmar) - o PL é rótulo do bolsonarismo, e com essa herança chega ao Congresso com franca maioria. O segundo com bons resultados é o PT, um lulismo bem sucedido, que descuidou de se renovar.

O poderoso Centrão, franco dominador da atual legislatura, longe de ser uma legenda, tem variação de procedências, não está contra nem a favor, muito pelo contrário; como se dizia do contorcionismo do velho PSD. Os centristas esperam o que vão acenar as urnas, prontos para sepultar inconveniências da disputa e aderir aos vitoriosos. Bloco heterogêneo, sem nada que faça parecer um partido, tem como bandeira e divisa a convicção de que o governo, qualquer que seja, é sempre formado de gente muito boa... Antes de Finados estará disponível.

Que falar dos veteranos PSDB, PMDB, PDT?, hoje e durante toda a campanha fragmentados, com alguma expressão regional. Que caminhos trilhariam em eventuais projetos de reestruturação? Com toda certeza, nem mesmos seus próceres saberão dizer.

Mas, em meio aos escombros, vale registrar, como novidade que poucos esperavam, o Psol, chegando ao novo ano dono de 40 cadeiras parlamentares, representado em 12 unidades da Federação. Não é pouco, para quem vinha de desempenhos anteriores bem mais modestos; porém, ainda distante de pretender colher as cinzas e os cacos do PT e das esquerdas que restarem das refregas deste 2026.

Se é nebuloso o futuro de partidos políticos dos nossos dias, não menos sombrio foi o que desenhou o debate de domingo, na Bandeirantes, entre os dois candidatos à Presidência da República. Quase sempre ausentes ideias propositivas, mas uma feroz troca de pedradas. A opinião pública, ofendida, sente-se no direito de sugerir que se cancele o outro debate programado, sem esperança de um modelo diferente do que assistiu, a contragosto.

Viu-se o que sempre se viu. O candidato preocupado em armar ciladas para ver o adversário escorregando em defeitos dos quais também padece. Empurra o outro para abismos de onde sairiam manchados.

Triste observar. Como guerreiros espumando no canto da boca, homens que disputam o comando do país entram em cena não para cuidar de grandes questões, são produtos de marqueteiros e estrategistas, que instruem como provocar e como escapar do tiroteio inevitável. Além de expedientes safadinhos, como transitar atrás do adversário, na tentativa de desviar a atenção do telespectador.

Merecemos coisa melhor.