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Gilmar Mendes cobra imparcialidade no TSE e critica hesitações de Nunes Marques no comando da eleição presidencial

Decano do STF fez publicação em tom duro sobre a condução da Justiça Eleitoral e reacendeu o debate sobre a liderança da Corte

Por JB JURÍDICO

Ministro Gilmar Mendes, do STF

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, fez uma cobrança pública à condução do Tribunal Superior Eleitoral pelo colega Nunes Marques, e afirmou que quem está à frente da Corte deve atuar com imparcialidade. Em publicação nas redes sociais, ele disse que a postura esperada é a de um árbitro equidistante, como pressupõe a Constituição.

No texto, Gilmar também afirmou que silêncios e hesitações não são neutros. Segundo ele, a ausência de manifestações em momentos decisivos pode abrir espaço para decisões contraditórias e permitir que outras instâncias precisem resolver, depois, o que poderia ter sido enfrentado desde o início.

Recado vem após impasse no segundo turno

A manifestação ocorre depois do episódio envolvendo a extensão do horário de votação no segundo turno. Na ocasião, campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro recorreram à Justiça Eleitoral por causa de dificuldades no transporte de eleitores e problemas climáticos.

Enquanto o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, pedia informações para analisar os pedidos, o caso também chegou ao STF. O ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação da votação até as 19h em todo o país, decisão que entrou no sistema após o horário previsto para o encerramento e causou confusão em seções eleitorais.

Gilmar reconhece força do colegiado, mas faz alerta

Apesar da crítica ao comando do tribunal, Gilmar afirmou que o colegiado do TSE assegurou o cumprimento das regras democráticas. Ainda assim, ponderou que a solidez do processo eleitoral não pode depender apenas da força coletiva da Corte, reforçando a necessidade de uma direção firme e clara.

Em nota divulgada dias antes da publicação de Gilmar, Nunes Marques afirmou que as eleições transcorreram dentro da normalidade e com respeito às normas legais e constitucionais. Ele também reconheceu instabilidade na reta final da votação, mas sustentou que o pleito foi entregue com segurança.

Clima institucional volta ao centro do debate

A troca de sinais entre integrantes do Judiciário recoloca no debate a relação entre STF e TSE em momentos de crise eleitoral. A cobrança de Gilmar amplia a pressão sobre a condução da Corte em 2026, e reforça a discussão sobre como preservar confiança, previsibilidade e autoridade institucional durante o processo de votação.