Ciclovias, uma excelente solução

Precisamos de um novo salto em 2021, entre 2014 e 2018 a malha cicloviária das capitais brasileiras mais que dobrou, cresceu aproximadamente 3,500Km

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Precisamos de um novo salto em 2021, entre 2014 e 2018 a malha cicloviária das capitais brasileiras mais que dobrou, cresceu aproximadamente 3,500 km, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, cada uma em torno de 500 km. Considerando a malha viária destas capitais, na ordem de 110.000 km, este número era insignificante. Sabemos que, claro, carros percorrem distâncias maiores, porém o incremento das ciclovias traz vantagens importantes para nosso dia a dia.

A necessidade da construção de vias especiais para as bicicletas monta de 1862. A primeira ciclovia foi construída em Paris. Na década de 1930, na Alemanha, concluiu-se que para avançar com viabilização do carro, precisavam tirar as bicicletas das ruas e levá-las a vias especiais.

Vivemos hoje um momento especial onde precisamos de maior distanciamento social e melhor qualidade de vida, tão somente por estes dois pontos já deveríamos olhar com mais atenção para o deslocamento com bicicletas. Precisamos ter nas cidades aspirantes a inteligentes todo um ecossistema favorável. Em estudo recente na Inglaterra, perto de 270 mil pessoas com idade média de 53 anos foram analisadas, comparando as que se deslocavam ativamente (caminhada ou bicicleta) com as que se deslocavam de forma passiva (carros ou transporte público). O resultado foi o que a maioria já imagina, as que eram ativas tinham menor propensão a doenças cardíacas e a câncer.

Fora esta importante informação, o transporte ativo é mais barato, oferece risco de contaminação muito inferior ao do transporte público, além de contribuir com a menor taxa de acidentes de trânsito. Para incentivá-lo algumas ações podem ser tomadas, a primeira é o aumento da malha cicloviária, outra é a infraestrutura para tal.

Conversei com a arquiteta Priscila Chiesse, sócia do escritório Jozé Candido Arquitetos Associados, com vários projetos de mobilidade e urbanização no Brasil. Priscila destacou a importância da infraestrutura e nos exemplifica com imagens.

Macaque in the trees
Foto 1 (Foto: Jozé Candido Arquitetos Associados)

As oficinas (foto 1) têm que estar presentes, pneus furam e correias saem, e para voltar para casa é necessário o reparo.

Macaque in the trees
Foto 2 (Foto: Jozé Candido Arquitetos Associados)

Os bicicletários (foto 2) devem ser organizados, seguros e protegidos das intempéries, além de contar com armários, banheiros e chuveiros.

Macaque in the trees
Foto 3 (Foto: Jozé Candido Arquitetos Associados)

Outro ponto de destaque da Priscila, foi a necessidade de perfeita integração (foto 3) com os demais modais (trens, metros, barcas e ônibus) do contrário é só lazer.

Macaque in the trees
Foto 4 (Foto: Jozé Candido Arquitetos Associados)

Acima e a seguir um modelo de projeto (fotos 4 e 5) de uma ciclovia com vários detalhes e medidas para auxiliar a agentes públicos no planejamento. O incentivo fiscal a esta saudável prática é muito bem-vindo. Só a título de exercício, já pensou se as bicicletas tivessem redução dos impostos? Sou capaz de apostar que a redução dos atendimentos médicos seria maior que a queda de arrecadação. Outro desvio pode e deve ser corrigido, a venda de vale transporte. Sabemos que para a população de renda mais baixa, a venda é uma forma de auxiliar complementando a renda, porém é ilegal. Mas se os trabalhadores tivessem simplesmente o auxílio transporte.

Macaque in the trees
Foto 5 (Foto: Jozé Candido Arquitetos Associados)

sem prender ao transporte público e este trabalhador decidisse como usá-lo? Desta forma, não estaríamos empurrando o trabalhador para ilegalidade e sim para uma vida mais saudável, menor poluição e menos trânsito.

Não devemos esquecer que a educação no trânsito deve ser para pedestres e ciclistas inclusive. Algumas escolas, poucas, têm minicidades em suas dependências para ensinar desde a primeira infância regras de trânsito. Estas crianças, ainda antes de se tornarem independentes, alertam pais sobre riscos e crescem integrando a matéria na cultura.

Não obstante, preciso destacar que mesmo aquelas nações que têm em sua cultura práticas adequadas, também têm rígida fiscalização e implacável punição a infratores. Precisa haver uma campanha efetiva e fiscalização ativa, assim teremos mais espaço para muita coisa, até para ciclistas conviverem com os carros nas ruas de forma harmônica e integrada.

Gostou desse assunto? Tem algum projeto que auxilie na melhoria de sua cidade? Mande um e-mail e vamos conversar.



Foto 1
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Foto 2
Foto 3
Foto 4
Foto 5