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Comitê de Ética na França é favorável a maior acesso à reprodução assistida

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Os casais de mulheres e as mulheres solteiras devem ter acesso à reprodução assistida para poder "amenizar" seu "sofrimento" - considerou o Comitê de Ética francês (CCNE), nesta terça-feira (25).

Em 2017, este órgão consultivo já havia se pronunciado a favor da medida, que também conta com o apoio do presidente Emmanuel Macron.

Em paralelo, o CCNE reiterou sua oposição à "barriga de aluguel" e considerou que a lei sobre o fim da vida votada em 2016 na França proíbe a eutanásia e o suicídio assistido não deve ser modificada.

Esta opinião foi emitida depois de uma consulta pública chamada "Estados gerais da bioética", organizada entre janeiro e abril pelo CCNE, com o objetivo de alimentar o debate parlamentar da próxima revisão da lei de bioética. O governo deve apresentar seu projeto antes do fim do ano.

A extensão da reprodução assistida aos casais de mulheres e às mulheres solteiras "pode se realizar, sobretudo, para amenizar um sofrimento induzido por uma infecundidade resultante de orientações pessoais", segundo o Comitê de Ética.

"Este sofrimento deve ser levado em consideração", acrescenta.

Antes mesmo de sua publicação, esta opinião já havia sido rejeitada pelo arcebispo de Paris, Michel Aupetit.

"O sofrimento pode ser o mesmo, mas não se pode pôr no mesmo nível", declarou ontem este médico de formação.

O CCNE disse que sua posição foi alvo de debate entre seus membros, porque nem todos estavam de acordo.

Diferentemente da reprodução assistida, o órgão justificou sua oposição à "barriga de aluguel" por princípios éticos, como o "respeito à pessoa, a rejeição à exploração da mulher, a rejeição à coisificação da criança".

O CCNE é favorável a "suspender o anonimato dos futuros doadores de esperma", desde que estes estejam de acordo.

pr/app/ra/tt

 



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