Obesidade e Bullying levam adolescentes a apelarem para cirurgia bariátrica

Uma das grandes vilãs da saúde, a obesidade, já é considerada uma epidemia mundial e para agravar ainda mais, as estatísticas são claras: cresce a cada dia mundialmente o número de adolescentes vítimas de obesidade mórbida.  Segundo estudo publicado no Journal of the American Medical Association – JAMA, a técnica de cirurgia bariátrica apresenta melhores resultados para a mudança de hábitos em adolescentes obesos do que a dieta e exercícios físicos. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 16,7% dos adolescentes entre 10 e 19 anos têm excesso de peso e, destes, 2,3% sofrem de obesidade. Além de aumentar as chances de aparecimento de doenças crônicas, o sobrepeso na juventude torna maior o risco da obesidade na fase adulta.

Segundo a pesquisa, 84% dos pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico perderam mais peso do que os pacientes submetidos a mudanças dos hábitos, que conseguiram perder apenas 12% do excesso de peso. “Além disso, os pacientes que tinham doenças relacionadas à obesidade, como hipertensão arterial, diabetes e colesterol elevado e foram submetidos ao tratamento cirúrgico também tiveram reversão destas doenças”, afirma o Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica RJ , Dr, Maurício Emmanuel. 

É importante destacar, entretanto, que para se realizar a cirurgia bariátrica em adolescentes é necessária a indicação feita por uma equipe multidisciplinar com endocrinologista, psicólogo, nutricionista e equipe de cirurgia bariátrica. “O adolescente deve ter maturidade física e mental, status psicológico estável, ter tentado perder peso previamente com profissional médico, ter condições de seguir as recomendações médicas após a operação e desejar fazer a cirurgia”, explica o especialista.

Para ser candidato à cirurgia bariátrica, o adolescente precisa ter um índice de massa corpórea (IMC) > 35kg/m2, com doenças significantes como diabetes tipo II, pseudotumor cerebral, apnéia do sono grave e hipertensão arterial grave, ou um IMC > 40kg/m2 com doenças associadas menos graves como apnéia do sono leve, pré-diabetes, dislipidemia (colesterol e triglicérides elevados).

População jovem brasileira está engordando

Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente aos últimos dois anos, mostram que 21,7% dos jovens entre 10 e 19 anos estão acima do peso e mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos apresentam excesso de peso. Com o crescimento da obesidade nas crianças e jovens, cresce também os casos de bullying, que são caracterizados por agressão física ou moral que um indivíduo ou um grupo praticam contra outras pessoas. De acordo com a pesquisa do IBGE, 30% dos estudantes brasileiros já foram vítimas dessas agressões. 

Esse fato coloca o bullying como um dos principais motivos dos adolescentes para buscar a cirurgia bariátrica como tratamento para a obesidade. No ano de 2010, de acordo com os últimos dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica SBCBM-RJ, foram realizadas no país que 2 mill cirurgias em pacientes com menos de 20 anos, representando 5% do total de cirurgias realizadas em 2010. “A legislação brasileira só permite a cirurgia após os 16 anos ou esses números seriam maiores ainda. Muitos chegam ao consultório contando o preconceito que sofrem por serem obesos e acham que a cirurgia é a única solução, mas é preciso muita cautela e o paciente deve ser muito bem avaliado pela equipe clínica”, alega Dr. Maurício Emmanuel.

Bullying

Mesmo com o assunto na mídia e diversas campanhas para acabar com o bullying e também reduzir o preconceito com os obesos, uma recente pesquisa realizada pelo HCor - Hospital do Coração - que entrevistou 600 pessoas no Rio de Janeiro e São Paulo - revelou que 50% da população não casaria com uma pessoa obesa e 81% dos entrevistados afirmam que a obesidade interfere na ascensão profissional.

 “Essa é a realidade que vemos no consultório. Muitos jovens obesos que procuram a cirurgia bariátrica têm a vida social e profissional estagnada, muitas vezes por vergonha e por não querer enfrentar o preconceito que realmente existe na nossa sociedade”, destaca Dr. Rizzi. Apesar da idade mínima, a cirurgia bariátrica só pode ser indicada no tratamento de pacientes com IMC (Índice de Massa Corpórea - peso dividido pela altura ao quadrado) acima de 40.

“A cirurgia bariátrica não é uma cirurgia estética. O paciente precisa passar por um amplo acompanhamento e já ter tentado perder peso pelas formas tradicionais, incluindo consultas com nutricionistas e endocrinologistas. Para pacientes com IMC entre 35 e 40 a cirurgia é liberada para casos com doenças relacionadas à obesidade, como diabetes e hipertensão”, conclui o Presidente da SMCBM-RJ, Dr. Maurício Emmanuel.