Lançado oficialmente o Deficitômetro Tecnológico

Contador eletrônico começa a funcionar no primeiro dia do Encontro Nacional de Inovação Tecnológica em SP

Foi lançado na manhã de hoje, em São Paulo, data em que se comemora o Dia da Indústria, um novo contador eletrônico chamado Deficitômetro Tecnológico. Nos moldes do já conhecido impostômetro da Associação Comercial de São Paulo, ele mostrará, em tempo real, a progressão da dependência do Brasil por produtos importados nas áreas de alta e média-alta intensidade tecnológica e nos serviços tecnológicos. Idealizado e lançado pela Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica - Protec, o contador mostra, medida na moeda nacional, o déficit do nosso setor tecnológico, que somente no ano passado registrou um recorde de US$ 85 bilhões. Através dele, por exemplo, a sociedade terá acesso ao saldo negativo do Brasil em tecnologia que aumenta R$ 4.959,00 por segundo.

Inicialmente, ele funcionará num Portal próprio, o  www.deficitometrotecnologico. org.br , mas a intenção é que outras entidades apóiem a ideia no intuito de colocá-lo visível num painel, como acontece com o impostômetro. “Lamentavelmente estamos diante do maior período de desindustrialização que o país já viveu. “Este ano, vamos ter um déficit tecnológico de US$ 100 bilhões”, projetou o presidente da Protec, João Calos Basílio, alertando para o agravamento da conta pela importação crescente de produtos acabados e semiacabados.

Segundo o presidente, a novidade se baseia no indicador Déficit Tecnológico, criado pela Protec a partir do cálculo do saldo comercial dos grupos de produtos e de serviços de maior intensidade tecnológica do País. Ele lembrou os tempos de hiperinflação, com a qual se acreditava ser possível de conviver, mas que acabou afundando a economia do País. Da mesma forma, o déficit brasileiro em tecnologia – um gigantesco iceberg submerso, como classificou o diretor-geral da Protec, Roberto Nicolsky – também estaria tendo seus efeitos subestimados até agora.

De acordo com Nicolsky, “as moedas que caem da torneira (do deficitômetro) estão alagando a economia brasileira”. No ano passado, o déficit tecnológico foi de US$ 85 bilhões. Em 2008, o indicador estava em US$ 40 bilhões, enquanto em 2006 era de US$ 20 bilhões, mesmo valor de 1996. “Qual é o fator determinante da competitividade, ou seja, da redução desse déficit? O câmbio”, declarou o diretor, acrescentando que é preciso uma medida emergencial para conter esse déficit.

“Cada vez que uma indústria deixa de produzir e passa a importar, ainda que componentes, ela perde a acumulação da competência tecnológica. O País está voltando anos e anos para trás e jogando fora muito dos avanços tecnológicos conquistados, como ocorre hoje na Zona Franca de Manaus, onde apenas se montam bens de consumo eletroeletrônicos que anteriormente produzíamos. É vital que o governo tome providências imediatas contra antigos entraves à competitividade. Caso contrário nossa indústria morrerá de vez”, finaliza Nicolsky.