Usuários reclamam da falta de conteúdo 3D no Brasil

Eles são poucos, mas existem. São raros os brasileiros que têm uma TV 3D em casa, tecnologia que chegou há menos de um ano ao País e ainda pesa bastante no bolso dos consumidores. Porém, há outra coisa que consegue ser mais frustrante que o preço do aparelho: a falta de conteúdo em 3D.

"Filme para locação ainda não procurei, mas acho que não vou encontrar", diz o comerciante do Rio de Janeiro Bruno André Ribeiro, 25 anos. A explicação para a falta de títulos no mercado é dada pelo blogueiro paulista Richard Max, 35 anos, que lamenta o número de filmes lançados em 3D no Brasil. Segundo ele, não chegam a dez. "Em sites internacionais há dezenas de títulos, custando entre US$ 25 e US$ 30. Aqui o mais barato chega por R$ 99", afirma. "A falta de conteúdo é o grande porém, tanto para jogos quanto para filmes", concorda o corretor de imóveis de Campinas José Carlos Canuto da Silva Júnior, 44 anos.

Os três usuários têm algo em comum: adoram a experiência do 3D em casa, mas aproveitam pouco o que o recurso tem a oferecer. Bruno calcula que o uso do recurso 3D no seu aparelho deve chegar a somente 5% do total, tamanha a falta de opções de conteúdo no mercado. Nenhum dos três tampouco conseguiu acompanhar a rara transmissão 3D nos canais brasileiros, resumida a poucos programas. No entanto, todos são entusiastas dos jogos para PlayStation 3.

Com pouca opção no mercado, a solução é assistir à programação ou jogar games 2D transformados em três dimensões pelo próprio aparelho. "Transformar 2D em 3D dá uma profundidade muito legal, não fica perfeito, mas é uma boa solução", afirma Canuto. "Mas não são todos os conteúdos que funcionam", diz Richard. "Assisto muito Fórmula 1, dá uma sensação de profundidade. Alguns filmes ficam muito bons, mas futebol e novela ficam horríveis, não dá para assistir", diz o blogueiro, que contabiliza assistir cerca de seis filmes por semana com esse recurso.

Mas nem mesmo a pouca oferta de conteúdo diminui a experiência do 3D em casa. "Eu nunca tinha visto nada em 3D antes de comprar a TV. Gostei muito do resultado, é muito melhor do que eu esperava", diz Bruno. Canuto diz que já convenceu muitos amigos a comprarem um televisor igual. "Muita gente chegava lá em casa e dizia 'eu não vou comprar isso nunca, cansa a visão', e acabou comprando", afirma. Já Richard diz não trocar a experiência de TV 3D em casa nem pela do cinema. "O óculos do cinema não é ativo. No caso da TV, ele é energizado. Não importa a posição que você está sentado, você vê perfeitamente. Com uma tela grande, no escuro e em uma boa posição, é muito melhor ver em casa que no cinema", garante.

Richard diz que a melhor experiência com 3D são nos jogos e filmes de terror, que fazem com que ele se sinta ainda mais inserido nas três dimensões do que em outros gêneros. "Dá mais realismo, fica bem mais preso ao filme. Tem um jogo em que aparece uma menina de vez em quando, e sempre que aparece eu tenho a certeza de que não tenho nenhum problema cardíaco, se não já teria morrido, tamanho o susto", afirma. "Se eu jogo sem óculos, isso não acontece."

Óculos

O que também deixa as pessoas com um pé atrás com a tecnologia 3D é o uso do óculos. Segundo Richard, o equipamento incomodou um pouco no começo, mas com o tempo a adaptação aconteceu. "No início eu sentia enjoo, dor de cabeça, ficava com o olho pesado, mas me adaptei. Já meu avô não consegue assistir, tem muito desconforto", conta. Canuto diz que se adaptou bem desde o começo, mas tem amigos que acharam desconfortável. Bruno também diz que sentiu um leve incômodo nas primeiras vezes, mas acabou esquecendo com o tempo.

Entre os prós e os contras, os usuários dizem que a experiência vale a pena. "É a TV mais completa do mercado", diz Bruno. "Se eu fosse comprar uma TV hoje, compraria de novo", garante Canuto. Já Richard aprovou tanto a tecnologia que tem muitos aparelhos 3D em casa: câmera digital, televisor, monitor do PC e webcam. Ele chegou a trocar a armação dos óculos de grau para conseguir ter uma experiência melhor com os óculos 3D.

"Se eu pudesse assistir a tudo em 3D, seria ótimo", afirma o usuário, que tem muitas fotos e vídeos em três dimensões produzidos por ele. Só o que ele lamenta é não ter com quem dividir esse conteúdo. "Eu tenho mais de 10 mil seguidores no Twitter e perguntei quem tinha TV 3D. Só sete pessoas responderam." Richard espera que o preço da TV e do Blu-Ray caiam para a tecnologia deslanchar, e que o conteúdo avance também. Enquanto isso não acontece, segue o lamento: "Eu tenho a TV, mas ainda não tenho o conteúdo".