ASSINE
search button

TEDxRio: cientista critica burocracia brasileira

Compartilhar

 

Pesquisador do Ministério da Ciência e Tecnologia e professor do Departamento de Artes da PUC-Rio, Jorge Lopes palestrou nesta terça-feira no TEDxRio, evento que busca discutir soluções para um Rio de Janeiro melhor. Após a sua participação, que teve duração de 18 minutos, como todas as demais, Lopes criticou a burocracia brasileira e disse que isso faz o País perder novos talentos.

"No Brasil temos sim cabeças pensantes, uma produção de conhecimento que se destaca na América Latina, entretanto o que nos estraga é a burocracia, ela é estúpida, arcaica e colossal. Para se ter uma ideia, dou apenas um exemplo, compramos de Israel um equipamento em janeiro de 2010. Ele só foi chegar ao Brasil em dezembro. Essas e outras, impõem ao pesquisador muitos desafios, as vezes penso estar em uma constante corrida de obstáculos, e tenho que me desvencilhar de diversos empecilhos burocráticos que só nos atrasam, parece que fazer pesquisa é um crime, aqui você é sempre culpado, parece que fazemos algo de errado", afirmou o cientista.

Jorge criou o exame de ressonância magnética tridimensional, que pode parecer complicado, mas ele nos explica sua criação: "desenvolvi um arquivo de ultra-sonografia tridimensional, um modelo matemático, uma impressão aritmética. A mãe sai com a impressão 3D do seu feto, semelhante a um molde de material plástico (acetato). Isso certamente irá ajudar muitas mães a perceberem se seus bebês têm má formação sem precisar de um exame mais incisivo" diz.

"Espero ter dado a minha contribuição para a ciência. Em parte do meu estudo incluí meu filho, hoje com um ano e meio. Seu ultra está no Science Museum de Londres, como acervo permanente, não precisei pedir autorização. Acredito que em um ano esse procedimento possa ser acessível no Brasil, para ajudar a quem precisa" ressaltou Lopes.

Sobre o TEDxRio, o cientista disse estar "honrado" pelo convite feito pela organização, e falou ainda sobre essa mania de valorizar o que vem de fora. "Temos essa coisa do reflexo por aqui, alguns só valorizam o que vem de fora, o que é americano ou inglês, temos que abandonar essa ideia de reflexão, dar valor ao que vem de fora, basta olhar para o Brasil que iremos descobrir um mundo pensante" afirmou o pesquisador que defendeu seu PhD em Londres e não cobrou nada por sua patente.