Pesquisa: Mineiros são mais satisfeitos com a vida sexual que cariocas

Carla Knoplech, JB Online

RIO - Por causa da existência de praias e da cultura carioca, as mulheres do Rio de Janeiro têm maior facilidade de falar sobre sexo em um relacionamento, mas mesmo assim, quando se trata do uso de preservativos, elas se descuidam e não usam tanto quanto as mineiras.

Os homens, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, distinguem facilmente o afeto do sexo, e as mulheres estão começando a aceitar essa diferenciação recentemente.

Mais de 60% dos homens levam até trinta minutos entre a vontade de fazer sexo e a abordagem da parceira; desse número, 27% dos cariocas classificam a sua vida sexual como excelente contra 32% dos mineiros.

Essas são algumas das constatações da Mosaico Brasil, uma pesquisa lançada nesta terça-feira pela empresa farmacêutica Pfizer e conduzida pela professora Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Foram entrevistadas 1715 pessoas, homens e mulheres, entre 18 e 71 anos, para traçar um perfil sobre o comportamento afetivo-sexual do brasileiro. Nessa primeira fase, cariocas e mineiros foram o alvo da pesquisa, que até o final do ano estará presente em outras oito capitais do país.

Essa é a nona pesquisa que a Pfizer realiza sobre sexualidade. Dentro de um universo de 79,4% de mineiros e 65% de cariocas - que se auto declararam com a vida sexual ativa e estável - dados surpreendentes como fatores que constituem uma qualidade de vida elevada foram revelados.

No Rio de Janeiro, para os homens, a atividade sexual vem como segundo valor entre dez opções de escolha tais como o sono, a prática de exercícios físicos, alimentação saudável, satisfação no trabalho e o tempo desprendido com a família.

Com as mulheres, a atividade sexual vem, em nono lugar. Em Belo Horizonte, os homens escolheram a atividade sexual como terceiro valor e as mulheres como o oitavo.

- Eu me surpreendi com a coincidência dos números em certas ocasiões entre as duas cidades, mas observei que Minas Gerais, que era considerado um estado conservador, está cada vez mais aberto ao diálogo. O próprio fato das pessoas pararem na rua para responder ao questionário já evidencia isto. Em contrapartida, reparamos que o Rio continua mantendo as suas características, os cariocas se importam muito com a aparência física disse Carmita.

Homens estão se preocupando com questões afetivas e mulheres separando o sexo do amor

Nas duas cidades, os dados sobre a iniciação da vida sexual se mantiveram, enquanto a maioria das mulheres, 89%, começaram a vida sexual com o namorado, apenas 31,8% dos homens começaram com as namoradas. Em segundo lugar vem as amigas com 27,3%, depois as prostitutas com 20%, as pessoas desconhecidas com 12,8% e as primas (!) com 9,1%.

No Rio de Janeiro, os homens tiveram aproximadamente quatro parceiras sexuais que de fato importaram na vida e as mulheres dois. Em Belo Horizonte foram três parceiras importantes contra um parceiro das mulheres.

- No geral os homens estão com aspectos mais femininos por se preocuparem com a questão afetiva de suas parceiras e as mulheres com fatores mais masculinos por conseguirem separar amor de sexo. Com a pesquisa detectamos que as mineiras estão mais realizadas afetiva e sexualmente do que os homens e as cariocas. Também vimos que 40% das mulheres continuariam a viver com um parceiro mesmo que eles não fizessem mais sexo, enquanto apenas 27% dos homens faria o mesmo contou Carmita.

Ao fim da pesquisa percebeu-se que há uma noção da necessidade dos dois lados de uma relação estarem envolvidos para que o sexo seja mais prazeroso, entretanto, um dado gritante chama a atenção: 22,8% das mulheres não consegue ter orgasmo. Segundo a professora Carmita isso se mantém freqüente ao longo das pesquisas com foco sexual.

A preocupação da mulher com a aparência é comparável com a dos homens com a ereção

Nas duas capitais e nos dois gêneros houve uma resposta unânime que marcou a pesquisa: a preocupação da mulher com a aparência física é comparável a dos homens com a ereção.

Apesar dos homens estarem se preocupando mais com a sua aparência e admitindo esse fato muito mais acentuado no Rio de Janeiro 46,9% dos cariocas que dizem manter a ereção sempre e 50,3% dos mineiros que dizem também manter não concordam que a mulher se preocupar excessivamente com a aparência física delas atrapalha na relação sexual.

Quando a Mosaico Brasil finalizar a pesquisa em outras capitais será traçado um perfil sexual do brasileiro, vale lembrar que a pesquisa compreendeu ainda a população homossexual e bissexual nas duas cidades e nos dois sexos.