Agência EFE
MADRI - Os astrócitos não participam apenas da comunicação e do armazenamento de informação no cérebro, mas também estão ligados com fisiologia da dependência de drogas.
Assim revela nesta quarta-feira um estudo publicado na revista 'Neuron', no qual uma equipe do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), de Madri, descreveu o papel passivo dos astrócitos, células cerebrais em forma de estrela às quais sempre se atribuiu uma mera função passiva.
De acordo com a análise, realizada pelos pesquisadores Marta Navarrete e Alfonso Araque, os astrócitos também estão ligados em possíveis reações para o tratamento dos efeitos de drogas relacionadas com canabinóides.
-Descobrimos que os astrócitos do hipocampo enviam receptores fundamentais de canabinóides do tipo 1, que são ativados por endocanabinóides durante a atividade dos neurônios - destaca Araque, do Instituto Cajal, do CSIC.
Os endocanabinóides são neurotransmissores liberados pelos neurônios, e cujos efeitos são mimetizados pelas drogas psicotrópicas derivadas da planta cânabis.
Até agora, acreditava-se que os efeitos dos canabinóides na fisiologia cerebral se deviam exclusivamente à ativação de receptores específicos presentes nos neurônios.
Além de sua relação com os efeitos dos canabinóides no cérebro e no comportamento, esses receptores estão envolvidos em vários processos cerebrais como a memória, a aprendizagem e a percepção de dor.
Segundo Navarrete e Araque, a estimulação dos receptores de canabinóides em astrócitos cria novas vias de comunicação entre neurônios.
- A ativação desses receptores nos astrócitos favorece a liberação do transmissor glutamato, que serve para ativar outros neurônios - diz Araque.
Em suma, 'os astrócitos atuam como ponte nesse novo caminho de comunicação interneuronal', acrescenta Araque.
Para o cientista, as conclusões do estudo comprovam o papel ativo dos astrócitos no cérebro.
Essas células fazem parte de um dos dois grandes grupos celulares do cérebro, as células da glia.
-Desde as pesquisas originais do século XIX, a comunidade científica achava que os neurônios eram os únicos responsáveis pelo funcionamento do cérebro na elaboração e transmissão de informação. Às células da glia só era atribuído um papel como aglutinante do cérebro - comenta.
Essa última pesquisa se soma a um estudo anterior, publicado na revista 'Science' em agosto, no qual se demonstrou que os astrócitos estão envolvidos na transmissão e no armazenamento da informação do sistema nervoso.
- Após os últimos resultados, e considerando a importância dos receptores canabinóides em vários processos do sistema nervoso, fica patente que os astrócitos participam de forma relevante no funcionamento cerebral - conclui o pesquisador do CSIC.