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Medicamento Femara impede reincidência do câncer de mama

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Julie Steenhuysen, REUTERS

CHICAGO - O uso do medicamento por via oral Femara pode reduzir significativamente a chance de reincidência do câncer de mama, mesmo após um longo tempo desde a interrupção do tratamento com o bloqueador de estrógeno tamoxifen, disseram pesquisadores norte-americanos nesta segunda-feira.

Segundo ele, mulheres já na menopausa que tomam o Femara, da Novartis, em algum momento entre um e sete anos depois de concluírem o tratamento com tamoxifen tiveram uma redução de 63% na possibilidade da volta do tumor.

- O que nossos resultados mostraram pela primeira vez na história do tratamento do câncer de mama é que tomar um antiestrógeno em algum momento parece resultar numa redução dramática no risco de recorrência - disse Paul Goss, do Hospital Geral de Massachusetts, cujo estudo foi publicado na Journal of Clinical Oncology.

O medicamento, cujo nome genérico é letrozole, reduz em 61% o risco da migração do tumor e em 80% a chance de desenvolvimento do câncer na mama ilesa. O letrozole pertence a uma nova classe de medicamentos contra o câncer de mama, os inibidores de aromatase, que bloqueiam a produção do estrógeno, que pode provocar câncer. Seu uso é recomendado para mulheres que já entraram na menopausa.

O principal bloqueador de estrógeno é o tamoxifen, que já demonstrou reduzir em quase 50% o risco de recorrência do câncer. Mas, os benefícios da pílula, vendida pelo laboratório AstraZeneca sob o nome Nolvadez (há também versão genérica), diminuem sensivelmente após cinco anos.

O tamoxifen também agrava o risco de morte por derrame e câncer do endométrio. Mas, mais de metade das reincidências e mortes do câncer de mama ocorrem após cinco anos ou mais depois da suspensão do tamoxifen.

- O que é importante para médicos e pacientes reconhecerem infelizmente é que o risco da recorrência desse tipo de câncer de mama não termina em cinco anos - disse Goss por telefone. - O risco continua, e o benefício continua substancial, mesmo iniciando tardiamente a terapia.

Segundo Goss, as conclusões se baseiam em dados de 1.579 mulheres que decidiram trocar um placebo pelo letrozole após a suspensão dos testes. Esses resultados foram comparados aos de cerca de 800 mulheres que continuaram no placebo.

Quase três anos após o fim do estudo, as mulheres que haviam tomado letrozole tinham uma taxa de recorrência de apenas 2%; entre as demais, a reincidência subia para 5%. Goss disse que o resultado é significativo e deve levar a mudanças no tratamento do câncer de mama.

- O risco de que o câncer de mama hormônio-dependente reincida continua indefinidamente, e nossos resultados implicam que a inibição de aromatase é efetiva quando quer que seja iniciada - afirmou Goss, que também leciona em Harvard.

Ele disse que o estudo avaliou apenas o letrozole, mas deve valer também para todos os inibidores de aromatase. A Pfizer também tem um medicamento dessa classe, o Aromasin (nome genérico: exemestane). O AstraZeneca faz o Arimidex (anastrozole).

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais letal para as mulheres dos EUA, após o de pulmão. Ele mata 500 mil mulheres por ano no mundo.