Agência EFE
DUBLIN - As secreções cutâneas de uma rã sul-americana poderiam ser usadas para tratar o diabetes tipo 2, informou nesta segunda-feira um grupo de cientistas da Universidade do Ulster (Irlanda do Norte) e a Universidade dos Emirados Árabes Unidos.
O estudo, apresentado nesta segunda-feira em uma Conferência sobre Diabetes realizada em Glasgow (Escócia), apontou que a chamada 'rã paradoxal' é capaz de produzir um composto que estimula a emissão de insulina.
Os cientistas acham que a versão sintética desse composto, conhecida como 'pseudin-2', poderia ser usada para a elaboração de novos remédios eficazes no tratamento do diabetes tipo 2.
Esse animal recebe o nome de 'rã paradoxal' porque em sua etapa de girino chega a medir 27 centímetros, enquanto na fase adulta seu tamanho é reduzido até os quatro centímetros.
Só no Reino Unido acredita-se que cerca de dois milhões de pessoas sofrem de diabetes, que ocorre quando o organismo não gera suficiente insulina ou esta não funciona adequadamente, o que leva o paciente a não ser capaz de regular os níveis de glicose no sangue.
O presidente da associação britânica Diabetes UK, Douglas Smallwood, explicou que o diabetes tipo 2 pode ser controlado por meio de uma dieta adequada e exercício físico, embora o tratamento farmacêutico torna-se indispensável à medida que a doença progride.
- Necessitamos de novos tratamentos, porque assim poderemos reduzir o risco de complicações, como a cegueira, problemas coronários ou nefríticos - destacou Smallwood.
Segundo Yasser Abdel-Wahhab, membro da equipe de pesquisa, os primeiros resultados conseguidos com o 'pseudin-2' foram "fascinantes', pois se conseguiu 'estimular a secreção de insulina de células do pâncreas sem produzir efeitos tóxicos'.
Também notaram que a versão sintética do 'pseudin-2' é mais eficaz que a natural, o que abre caminho para o desenvolvimento de remédios eficazes, acrescentou o cientista.
- Precisamos pesquisar mais - precisou -, mas a cada dia há mais estudos sobre descobrimentos de drogas naturais contra o diabetes que, como se pode ver, estão dando resultados incríveis.
Abdel-Wahhab explicou, além disso, que as investigações sobre as propriedades de cura das secreções de anfíbios para tratar o diabetes se encontram em um estado muito avançado.
Prova disso é o êxito do remédio 'Exenatide', elaborado a partir de um hormônio denominada exedin-4 do lagarto Gila, espécie oriunda dos desertos do sul dos Estados Unidos e do norte do México.