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Brasil investe em tecnologias para produzir biocombustíveis

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Angélica Paulo e Débora Motta, Agência JB

RIO - Nunca se falou tanto em proteção ao meio ambiente quanto nos últimos tempos. As conseqüências das mudanças climáticas no planeta são visíveis e as conseqüências podem ser notadas por todo o globo. Pensando em como será o futuro da humanidade, governos e entidades têm se empenhado para tentar reduzir a quantidade de agentes poluidores na atmosfera, além de possíveis substitutos ao maior dos vilões no combate ao aquecimento global: os combustíveis fósseis.

No Brasil, o primeiro passo já foi dado há pelo menos 40 anos, quando o Governo lançou o ProÁlcool, na década de 60, como alternativa à crise do petróleo. Com isso, a tecnologia para a produção do etanol teve suas bases fincadas no país e continuou se desenvolvendo. Com o advento dos biocombustíveis fontes de energia renováveis, infinitas, originadas de produtos vegetais o Brasil tornou-se um dos principais produtores de combustíveis menos poluentes.

- No momento, o Brasil possui a vanguarda na produção do etanol, através da cana-de-açúcar, produzindo cerca de 18 bilhões de litros do combustível, só sendo superado pelos EUA, cuja principal matéria-prima é o milho revelou Luiz Fernando Laranja, coordenador do programa Agricultura e Meio Ambiente da WWF Brasil.

Apesar dos Estados Unidos estarem prestes a superar o Brasil em termos de produtividade, a cana-de-açúcar apresenta menor balanço energético que é o quanto se gasta, em termos de energia, para produzir mais energia ou seja, enquanto os norte-americanos precisam de um litro de álcool para produzir 1,3 partes de energia do milho, o Brasil gasta um litro para produzir oito partes de energia.

Mas nem só de milho e cana-de-açúcar vivem os biocombustíveis. Existem diversos outros tipos de matérias-primas, como a beterraba, a mamona, a uva e cereais de forma geral. Aurelio Lamare Soares Murta, mestre em Engenharia de Transportes pelo IME e pesquisador doutorando da COPPE, afirma que, apesar da superioridade americana, o Brasil possui todos os ingredientes necessários para ter produtividade maior que os Estados Unidos.

- O Brasil possui todos os ingredientes. Temos solo fértil, clima tropical e tecnologia desenvolvida. O milho dos EUA se torna menos rentável por ser também destinado à alimentação disse.

Opinião semelhante tem Laranja, que afirma que o fato dos EUA produzirem combustível de matéria-prima também destinada à alimentação pode prejudicar a balança comercial americana.

- A tendência é que quanto mais os norte-americanos produzirem álcool do milho, mais o preço do produto aumenta no mercado internacional, o que pode levá-los a optar por outro tipo de matéria-prima. Relatórios já garantem que a situação nos Estados Unidos é alarmante afirmou.

Além do álcool, o Brasil também tem investido muito na produção do biodiesel, combustível utilizado em veículos de grande porte, como ônibus e caminhões e que é uma alternativa ao diesel obtido através do petróleo. Por ainda encontrar-se em fase de estudo, o Governo Federal permite apenas que 2% do combustível seja adicionado ao diesel comum.

Enquanto isso, cada vez mais se tem investindo em tecnologia no país. Segundo Laranja, o principal pólo de pesquisas encontra-se na região de Piracicaba, em São Paulo, além da USP e diversas empresas privadas, que têm feito importantes avanços na área. A COPPE, da UFRJ, também se destaca na área. O Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG), da COPPE/ UFRJ, vem desenvolvendo estudos a partir de diversas matrizes oleaginosas, entre elas óleo de soja virgem e óleo residual de fritura, além do dendê.

- Fizemos um projeto em parceria com a Comlurb, que adotou durante dois anos o uso de 5% de biodiesel (B5) misturado ao diesel nos caminhões de coleta, sem problemas para a frota em relação aos carros que usam diesel comum. A Companhia Vale do Rio Doce também participou de projeto parecido e vai, inclusive, adotar o B20, feito de dendê, em locomotivas informou Murta, coordenador executivo do IVIG.

Apesar de todo esse investimento, Laranja faz questão de ressaltar que os biocombustíveis não vão substituir definitivamente os combustíveis fósseis.

- Isso é impossível. Se os biocombustíveis fossem realmente substituir os derivados do petróleo, ninguém plantaria mais nada no mundo que não matéria-prima. Eles são uma alternativa a mais para diversificar a matriz energética e só podem substituir em 15 ou 20% os combustíveis fósseis afirmou.

O que temos que fazer é investir em tecnologia de outros tipos de energia, como a eólica e a solar, por exemplo. Somente com a diversificação poderemos realmente combater o aquecimento global e resolver o problema da escassez de petróleo no mundo - ponderou.