Mexicanos anunciam novo tratamento contra o mal de Chagas

Agência EFE

MÉXICO - Pesquisadores mexicanos desenvolveram uma nova forma para o tratamento do mal de Chagas, uma doença que afeta quase 20 milhões de pessoas, especialmente na América do Sul.

Num estudo publicado hoje pela revista "PLoS Neglected Tropical Diseases", os cientistas da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) informaram que a nova estratégia pode usar uma enzima do "Trypanosoma cruzi", o parasita que causa a doença.

O grupo, liderado por Armando Gómez Puyou, informou na revista que seu esforço se concentrou em moléculas que pudessem matar o parasita. Eles chegaram à enzima identificada como isomerase triosefosfática.

Os cientistas explicaram que um problema na identificação de moléculas que atacam as enzimas parasitárias é que a maioria tem uma contrapartida no sistema fisiológico humano. Assim, o tratamento poderia atacar a enzima humana, causando efeitos secundários graves.

No entanto, a isomerase pode ser um alvo no tratamento. Isto porque que a forma humana da enzima é diferente da apresentada pelo parasita, segundo o relatório.

Constatada a diferença, os cientistas iniciaram a busca de moléculas que alterarão a forma parasitária da enzima, mas não a humana.

Em seus esforços, os pesquisadores mexicanos determinaram que a substância mais efetiva é a dithiodianilina (DTDA). Ela modifica a conexão entre as duas subunidades da enzima.

Ao cancelar a conexão "é possível descobrir pequenas moléculas que liquidam o parasita de maneira seletiva", disseram os cientistas.

O parasita é transmitido ao ser humano principalmente através da picada do barbeiro.