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Aids ataca células-tronco no cérebro, diz estudo

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REUTERS

WASHINGTON - O vírus da Aids danifica o cérebro de duas maneiras: não só matando as células cerebrais, mas também impedindo o nascimento de células novas, mostrou um estudo publicado na quarta-feira na revista Cell Stem Cell.

A pesquisa ajuda a esclarecer um problema conhecido como demência associada ao HIV, que pode causar confusão mental, transtornos do sono e perda de memória em pessoas infectadas com o vírus.

O problema é menos comum em pessoas que tomam os coquetéis de remédios para suprimir o vírus, e ainda não se entende bem por que o HIV prejudica a função cerebral.

O vírus mata as células do cérebro, mas também parece impedir a divisão das células progenitoras, ou células-tronco, afirmou a equipe do Instituto Burnham de Pesquisa Médica e da Universidade da Califórnia em San Diego.

- É um duplo ataque ao cérebro - disse o pesquisador Marcus Kaul. - A proteína do HIV causa as lesões e impede a recuperação.

O coquetel de drogas anti-retrovirais não penetra bem no cérebro, o que permite a criação de um "reservatório secreto" do vírus, disse Stuart Lipton, que participou do estudo. A demência associada ao HIV está se tornando cada vez mais comum, já que os pacientes estão ficando mais velhos.

A pesquisa foi feita com camundongos.

- A revelação é que o vírus da aids impede que as células-tronco do cérebro se dividam - disse Lipton.

- É a primeira vez que se demonstra que um vírus afeta células-tronco - ressaltou.