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Estudo diz que animais mais frágeis têm comportamento menos ariscos

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Agência EFE

LONDRES - Cientistas da Holanda e da Suécia descobriram que espécies de animais mais frágeis e que investem muito em seu futuro desenvolvem um comportamento com o qual tentam diminuir os riscos em seu habitat, como os conflitos com grandes predadores.

O estudo analisou a evolução de 60 espécies diferentes de animais e foi publicado na última edição da revista americana 'Nature'.

Por outro lado, segundo os cientistas, as espécies despreocupadas com seu futuro são mais propensas a serem ousadas e agressivas, o que contraria as teorias sobre convergência no comportamento dos animais, que estaria associada à evolução das espécies.

- Em biologia evolutiva, ter mais ou menos o que perder equivale a maiores ou menores expectativas de reprodução futuras, ou da quantidade da prole - disse à Efe Max Wolf, da Universidade de Groningen (Holanda), responsável pela pesquisa.

- Desta forma, um animal que em determinadas condições deveria ter muitos filhos - por exemplo, porque seu habitat é de alta qualidade - evitará as situações de risco, enquanto outro que normalmente deveria ter uma prole mais reduzida será mais propenso a sofrê-las, já que tem pouco a perder - acrescenta.

Segundo o cientista, as diferenças entre o comportamento das espécies não dependem apenas do momento da reprodução, mas para quando ela foi prevista.

- Alguns animais têm de escolher entre começar a se reproduzir em breve para depois parar - a chamada ênfase na reprodução atual - ou atrasar a procriação - reprodução futura. Aqueles que apostarem na reprodução futura terão mais chances de correr riscos e, por isto, serão mais cauteloso -, disse Wolf.

O estudo diz que as diferenças entre o comportamento temerário ou prudente dos animais perduram no tempo e são extensíveis a contextos diferentes, o que forma a personalidade animal.

- Por exemplo, muitos tipos de animais espinhosos que enfrentam seus predadores se comportam do mesmo modo com integrantes de sua espécie, além de serem muito ariscos no ambiente que não lhes é familiar - acrescenta Wolf, que afirmou que o mesmo comportamento foi constatado nos grandes mamíferos, ratos e camundongos.

- No entanto, no caso dos grandes mamíferos, freqüentemente são encontrados os dois tipos: animais agressivos, que exploram o ambiente de uma forma rápida e superficial, e animais tímidos, que o fazem de um modo lento e cuidadoso.

Segundo os pesquisadores, os animais cujo padrão de comportamento são mais flexíveis, como o desenvolvido pelos seres humanos, tendem a ter mais vantagens no processo de seleção natural, que toma por base a teoria de Darwin sobre a evolução das espécies.