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Positivo ensaia novos mercados após boom de PCs

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REUTERS

SÃO PAULO - A Positivo Informática, maior fabricante de computadores pessoais do país, vê forte crescimento do mercado brasileiro de PCs pelo menos até o final da década, e aposta em novas áreas como impressoras multifuncionais e notebooks educacionais.

O presidente da Positivo, Hélio Rotenberg, mostra otimismo e afirma que a companhia trabalha com uma previsão de expansão média anual nas vendas da indústria de PCs no Brasil da ordem de 35,5 por cento até 2010.

Fundada em 1989, a Positivo Informática só começou a atacar o varejo brasileiro em 2004 e pouco menos de um ano depois tornou-se a maior fabricante nacional, à frente de líderes globais como as norte-americanas Dell e HP que também possuem produção local.

Nesta semana, a empresa começa a testar vendas de impressoras multifuncionais produzidas sob contrato na Tailândia. "Temos intenção de fabricar (as multifuncionais) no país sim. Nosso foco será o varejo. Elas serão um belo complemento para nossa linha (de computadores)", afirmou Rotenberg à Reuters na tarde de terça-feira, por telefone.

A empresa está ampliando em cerca de uma vez e meia a área de sua única fábrica, localizada no Paraná. Ao mesmo tempo, inicia estudos para operações no exterior e o primeiro foco é a Argentina.

"São estudos preliminares... Não tem nada concreto, mas temos que olhar oportunidades o tempo inteiro", disse o executivo, acrescentando que essas análises devem ser concluídas em quatro a cinco meses.

A Positivo também vê em sua área educacional, que no primeiro trimestre respondeu por apenas três por cento da receita bruta de 397 milhões de reais, uma oportunidade nos próximos anos, apoiada por iniciativas de digitalização de escolas.

Entre três e quatro meses a companhia deve ter os resultados de testes com 1.000 unidades do notebook educacional Classmate PC desenvolvido pela Intel, para saber a quantidade a ser fabricada pela Positivo.

O executivo recusou-se a falar sobre a negociação com um grupo que desenvolve o rival do Classmate PC, a organização One Laptop Per Child (OLPC), para a produção de notebooks na faixa dos 100 dólares destinado a crianças de países em desenvolvimento.

LONGO PRAZO

No primeiro trimestre, a Positivo vendeu 248 mil PCs, quase 54 por cento acima do mesmo período de 2006. A empresa não divulga metas para o ano.

Em dezembro, a Positivo vendeu ações na Bolsa de Valores de São Paulo e desde então os papéis subiram mais de 50 por cento. Em 2006 também, as vendas totais de PCs no Brasil saltaram 46 por cento, para pouco mais de 8 milhões de unidades. A previsão da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) para este ano é de crescimento de 20 por cento.

Parte importante da expansão deve-se à redução de preços propiciada pela desvalorização do dólar, que barateia a aquisição de componentes cotados nessa moeda. Além disso, o governo reduziu tributos sobre produtos de informática.

Segundo Rotenberg, o crescimento do mercado brasileiro é de longo prazo, apoiado por vendas a camadas da população menos favorecidas, como a classe C, que teve a renda que sobra no fim do mês ampliada de cerca de 120 reais em 2005 para 190 reais ano passado.

"Entre 2005 e 2006, 8 milhões de pessoas passaram das classe D e E para a C. Isso é um dado estarrecedor. A classe C tem mais dinheiro, tem mais gente na classe C e temos mais crédito. É uma fórmula explosiva."

CONSOLIDAÇÃO

O crescimento do mercado de computadores no Brasil gerou uma multiplicação de fabricantes de PCs. Atualmente são mais de 60, segundo as empresas de pesquisa IDC e IT Data.

"O mercado continua muito bom, continua aceitando a entrada de mais gente (...) Mas, com os anos, um processo de consolidação deve acontecer com quebras e junções de empresas", prevê Rotenberg.

A Positivo atualmente não almeja aquisições, preferindo expandir-se organicamente e focada no estabelecimento de sua marca para evitar guerras de preços nocivas, completou o executivo.