Agência EFE
LONDRES - A grave escassez de pessoal da área de saúde em vários países da África meridional ameaça os esforços para ampliar o acesso ao tratamento dos pacientes de AIDS, adverte a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em um relatório publicado nesta quinta-feira. O relatório cobre a situação dos pacientes de AIDS e dos infectados com o vírus de imunodeficiência humana (HIV) no Lesoto, Malauí, Moçambique e África do Sul, nos quais mais de um milhão de pessoas ainda precisam urgentemente de tratamento anti-retroviral, mas carecem de acesso a ele.
O documento da MSF exorta os Governos e doadores de fundos de assistência a aumentar os salários e melhorar as condições dos funcionários da área de saúde na região sul da África "pelo bem dos pacientes", especificando que a falta de ação a respeito provocará "mais doenças e mortes desnecessárias". O relatório destaca como exemplo o distrito de Thyolo no Malauí, onde um auxiliar médico pode atender até 200 pacientes por dia, um número muito alto para assegurar um atendimento de qualidade.
Em Mavalane, no sul de Moçambique, os pacientes têm que esperar até dois meses para começar o tratamento devido à falta de médicos e enfermeiros. Muitos morreram durante a espera, assinala o relatório, ressaltando que no vizinho Lesoto, pequeno reino encravado dentro da África do Sul, há somente 89 médicos em todo o país. A organização afirma que embora se reconheça esta crise de recursos humanos, na prática faz-se muito pouco para atenuá-la. A MSF pede aos Governos que desenvolvam e implantem planos de emergência para evitar a "fuga de cérebros" - principal causa da falta de pessoal - que incluam medidas como aumentos de salário e melhoras das condições trabalhistas em geral.
Na África do Sul, país que possui o maior número de profissionais de saúde e que, além disso, são melhor pagos em relação ao resto dos trabalhadores do setor nos demais países da África meridional, uma distribuição desigual e uma escassez de pessoal também provoca atrasos na hora de ampliar o tratamento. O preço dos anti-retrovirais diminuiu e os fundos destinados aos meios para a luta contra a aids aumentaram , mas há muito pouco respaldo para que se aumentem os recursos humanos no setor da saúde, assinala, Sharonann Lynch, uma coordenadora da MSF no Lesoto.
- As pessoas (infectadas) com HIV/aids não precisam somente de remédios e clínicas, necessitam também de trabalhadores da área de saúde formados e motivados, que possam diagnosticá-las, tratá-las e controlá-las - conclui a funcionária da MSF.