Conteúdo de programação é tema de debates no Fórum de TVs Públicas

Agência Brasil

BRASÍLIA - O compromisso com a diversidade cultural, a educação e a informação de qualidade em contraposição aos interesses comerciais e a briga por audiência devem ser estar presentes na programação das televisões públicas do país. A proposta foi apresentada hoje (8) nos debates do Fórum de Nacional de TVs Públicas.

O conteúdo das televisão públicas é uma das preocupações de vários setores da sociedade representados no evento em Brasília. A expectativa é de que as emissoras públicas levem às telas brasileiras diversos segmentos da sociedade e da cultura nacional.

Para Fernanda Papa, representante de uma fundação alemã que desenvolve projetos sociais no Brasil, o sistema de TVs públicas deve retratar grupos historicamente marginalizados. As mulheres, por exemplo, precisam produzir TV e estar nela. Assim como os indígenas, a população negra, ribeirinha e a que vive nas periferias , citou.

Da coordenação de comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Dirceu Pelegrino argumenta que a divulgação da diversidade social e cultural do país será um instrumento interessante de resgate a auto-estima da população, principalmente dos agricultores.

A gente acha que os agricultores só sabem usar a terra, mas têm também talento na música, nas artes visuais e na poesia , disse. Essas são manifestações ignoradas pelas televisões comerciais . Para ele, os programas que passarão nos veículos públicos deverão abordar o meio rural e as questões ligadas à terra, principalmente as ocupações.

Não temos espaço na televisão comercial, quem sabe com TV pública seja possível a sociedade conhecer o lado da luta do MST? , questiona. A questão da terra é uma dívida estrutural social enorme que o país tem com o povo e não pode ser mostrada apenas como um caso de polícia , acrescentou em referência à cobertura dos veículos comerciais de televisão.