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Órgão da ONU prejudica combate à Aids, dizem ONGs

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REUTERS

NAÇÕES UNIDAS - A agência antidrogas da ONU está prejudicando os esforços de combate à Aids e deveria ser alvo de uma revisão independente, disseram importantes ativistas na terça-feira.

A Rede Jurídica Canadense para o HIV/Aids, o Instituto da Sociedade Aberta e Stephen Lewis, que foi representante especial da ONU para o combate à Aids na África, acusaram o Escritório Internacional de Controle de Narcóticos, com 13 integrantes, de adotarem políticas antidrogas que ignoram a saúde pública.

- Se eu tivesse (a agência) sob meu controle...lhes daria uma chicotada intelectual e retórica que eles nunca esqueceriam - disse Lewis em entrevista coletiva.

Um relatório dos grupos diz que um terço das infecções pelo HIV fora da África são causadas pelo uso de drogas injetáveis. A agência antidrogas da ONU admite esse problema, mas até hoje, segundo o texto, nada fez a respeito.

O relatório, intitulado 'Fechado à Razão', diz que a agência da ONU, criada em 1968, não só ignora as implicações do uso de drogas na saúde pública como também menospreza 'programas eficazes' como o fornecimento de seringas esterilizadas e o uso da metadona no tratamento da dependência química.

- É como se a conjunção HIV/Aids tivesse passado ao largo do Escritório Internacional de Controle de Narcóticos - disse Lewis. - Eles estão se alinhando com o vírus ao invés de se oporem determinantemente a ele.

Quase 40 milhões de adultos e crianças viviam com o vírus da Aids em 2006, sendo mais de 25 milhões só na África, segundo dados da ONU.