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RIO - O Brasil, quarto maior mercado mundial de produtos piratas, precisa se empenhar mais para combater essa prática, que custa anualmente bilhões de dólares às empresas, disse na sexta-feira o procurador-geral dos Estados Unidos.
Em discurso para empresários no Rio de Janeiro, Alberto Gonzales disse que os EUA estão usando mais policiais para combater a pirataria.
- Durante esta visita, incentivei meus colegas das autoridades policiais no Brasil a fazerem o mesmo - disse Gonzales, que também passou por El Salvador e Argentina.
- Entendo que haja desafios aqui. Acho que precisamos dar séria consideração ao cumprimento da lei, caso tenhamos leis suficientes para proteger os direitos de propriedade intelectual aqui neste país - disse Gonzales.
Ele elogiou os esforços brasileiros para reprimir a pirataria, mas disse que isso só vai funcionar se o Brasil se juntar aos EUA para um combate internacional a esse tipo de crime.
- A era digital criou um mundo sem fronteiras para grandes empreendimentos criminosos, então nossos esforços de vigilância da lei devem ser também globais e sem fronteiras - afirmou.
Gonzales informou ainda que os EUA estudam o envio de um coordenador à América do Sul para se dedicar ao cumprimento dos direitos intelectuais na região. Os EUA já têm um representante desse tipo no Sudeste Asiático e enviará um ao Leste Europeu nos próximos meses.
O secretário disse ainda que há criminosos usando a Internet para criar e vender softwares e games falsificados, além de ampliar o comércio de filmes, músicas, roupas, sapatos, autopeças e remédios pirateados.
Gustavo Starling Leonardos, presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual, disse que o governo deixou de arrecadar em 2006 cerca de 30 bilhões de dólares em impostos devido à pirataria.
- A lei precisa ser mudada para tornar (a pirataria) crime passível de prisão - disse ele, acrescentando que 75 por cento dos produtos falsificados são importados, especialmente da China.
Nos primeiros nove meses de 2006, o governo apreendeu 602 milhões de reais em produtos falsificados, um recorde, superando os 596 milhões de reais de todo o ano de 2005.