EFE
GENEBRA - As Nações Unidas afirmaram nesta sexta-feira que nas próximas semanas até um milhão de pessoas poderiam ser diretamente afetadas na Somália pelas graves inundações que atingem este e outros países do Chifre da África.
Segundo as previsões meteorológicas, as chuvas podem durar excepcionalmente até janeiro devido à influência do fenômeno "El niño".
O número de possíveis vítimas reflete o pior cenário dos analistas do organismo internacional, afirmou a porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), Elizabeth Byrs, que informou que já existem cerca de 450 mil desabrigados nas regiões de Juba e Shabelle.
O desastre natural se sobrepõe a uma situação humanitária anterior "altamente vulnerável", o que se reflete no fato de que em agosto - antes das inundações - 1,8 milhão de somalis já precisavam de ajuda para sobreviver.
Isso se deve ao impacto de anos de violência armada sobre a população e as conseqüências de uma forte seca que estava terminando.
Byrs afirmou que, nas circunstâncias atuais, o acesso às áreas afetadas é o maior desafio que as organizações de ajuda enfrentam.
As ONGs precisam recorrer a botes e aviões para transportar o material de emergência.
- Devido à pouca ou inexistente infra-estrutura e às inundações, muitas vias ficaram completamente inutilizadas, explicou, após afirmar que caminhões com alimentos tinham ficado atolados durante dias na lama.
Em relação à situação no Quênia, a porta-voz disse que 700 mil pessoas foram afetadas pelas inundações e que não se tem acesso "à maioria delas".
No entanto, Byrs afirmou que o Governo queniano e a ONU confirmaram que existem reservas de comida suficientes para distribuir entre os desabrigados.
O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) afirmou que hoje iniciará o lançamento por avião de 240 toneladas de material de socorro para os refugiados nos acampamentos em Dadaab (norte), devido aos problemas para transportar a carga por terra saindo da capital, Nairóbi.
Em Dadaab, existe um complexo de três acampamentos que abrigam 160 mil refugiados, a maioria proveniente da Somália. O local ficou isolado por várias semanas devido às fortes chuvas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que "as inundações colocaram em risco a saúde das populações afetadas".
- A combinação de deslocamento, aglomeração, falta de higiene e de água potável, e a destruição dos sistemas de saneamento colocam entre 1,5 e 1,8 milhão de pessoas em risco de contrair doenças infecciosas, advertiu.
Esses cálculos incluem as vítimas na Somália, Quênia e Etiópia