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Francis Halzen vence o Nobel de Física 2026 por estudo de neutrinos no gelo da Antártica

Cientista belga foi reconhecido por uma ideia que transformou o Polo Sul em observatório de partículas raras

Por JB CIÊNCIA

Francis Halzen

O cientista belga Francis Halzen foi anunciado nesta terça-feira (6) como vencedor do Nobel de Física 2026. Ele recebeu a distinção pela descoberta de que o gelo do Polo Sul poderia ser usado para rastrear neutrinos, partículas subatômicas conhecidas como “fantasmas” por serem extremamente difíceis de detectar.

Segundo a Royal Swedish Academy of Sciences, responsável pela escolha dos premiados na categoria, o trabalho de Halzen ajudou a abrir caminho para um novo tipo de astronomia. O presidente do Comitê Nobel de Física, Mark Pearce, destacou a liderança do pesquisador e a visão científica que permitiram criar um instrumento considerado fundamental para essa área.

Como o IceCube detecta neutrinos

Professor da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, Halzen idealizou ainda na década de 1980 o uso do gelo antártico como meio de observação dessas partículas. A proposta só se concretizou cerca de vinte anos depois, com a instalação do IceCube, um telescópio e observatório formado por sensores de luz enterrados em um quilômetro cúbico de gelo no Polo Sul.

O equipamento conseguiu registrar neutrinos de alta energia vindos de regiões muito além do Sistema Solar. Como esses sinais atravessam a matéria com enorme facilidade e quase nunca colidem com átomos, sua detecção ajuda a revelar informações que normalmente permaneceriam invisíveis aos instrumentos tradicionais.

Por que a descoberta é importante para a ciência

Além de ampliar o conhecimento sobre o universo, a pesquisa também contribui para mapear fenômenos ainda pouco compreendidos na galáxia. A observação de neutrinos de alta energia oferece pistas sobre eventos cósmicos extremos e reforça o papel da ciência da informação quântica na investigação do espaço profundo.

No ano passado, o Nobel de Física foi concedido a John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis por descobertas ligadas ao tunelamento quântico macroscópico e à quantização de energia em circuitos elétricos. Os estudos do trio mostraram que efeitos do mundo quântico podem ser observados em sistemas maiores e influenciam tecnologias como transistores e microchips. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado)