Fotos de satélites revelam maior redução de caudal do rio Paraná em 77 anos

A parte argentina do rio Paraná tem sido fortemente afetada pela grave seca desde ao menos 2019, indicam fotos publicadas pela Comissão Nacional Argentina de Atividades Espaciais

Foto: Pixabay / Nick115
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O rio Paraná, o segundo maior na América do Sul, está sofrendo grande diminuição de caudal em sete das províncias por onde passa na Argentina, advertiu na quarta-feira (8) a Comissão Nacional Argentina de Atividades Espaciais (Conae, na sigla em espanhol).

"O rio Paraná está sofrendo um evento de águas extraordinariamente baixas, devido a uma intensa e prolongada seca em sua bacia superior, no Brasil. Desde 1944 que não se observava tal situação, o que tem tido um enorme impacto nos múltiplos usos do rio", notou o hidrologista Marcelo Uriburu Quirno.

Para chegar a essa conclusão, a Conae comparou as imagens tiradas pelo satélite Saocom 1A em 2019 com aquelas fornecidas pelo Saocom 1B em 2021. O declínio da água é visível nas áreas de cor marrom.

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Grupo de satélites Saocom da Comissão Nacional Argentina de Atividades Espaciais registra redução drástica no nível de água do rio Paraná (Foto: Foto: Conae/reprodução)

 

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Satélites Saocom 1A e Saocom 1B da Argentina registram redução drástica no nível de água do rio Paraná (Foto: Foto: Conae/reprodução)

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Formação de ilhas no meio do rio Paraná na Argentina, provocada pela seca na bacia superior, no Brasil (Foto: Foto: Conae/reprodução)

 

"Os satélites Saocom 1A e 1B foram projetados para fornecer dados sobre os níveis de água nos solos e o estado das bacias hidrográficas; são muito sensíveis às mudanças nas massas de água e fornecem dados de altíssima qualidade, o que nos permite, entre outras coisas, identificar bancos de areia que estão expostos, ilhas mais expostas e a forma como a umidade e os cursos d'água estão secando", disse Sandra Torrusio, gerente de Ligação Tecnológica do Conae.

"Diante de emergências como esta, que tem sete províncias no limite, o trabalho coordenado pelo chefe de Gabinete entre os governos nacional, provincial e municipal é muito importante, junto com as agências de ciência e tecnologia e os encarregados de responder à situação através do Sistema Nacional de Gestão Integrada de Riscos [Sinagir, na sigla em espanhol]", continuou, citada na sexta-feira (10) pela agência argentina Télam.

Segundo ela, a situação no Paraná está sendo monitorizada pela Unidade de Emergência e Alerta Precoce da Conae desde ao menos 2020.(com agência Sputnik Brasil)



Rio Paraná (imagem referencial)
Grupo de satélites Saocom da Comissão Nacional Argentina de Atividades Espaciais registra redução drástica no nível de água do rio Paraná
Satélites Saocom 1A e Saocom 1B da Argentina registram redução drástica no nível de água do rio Paraná
Formação de ilhas no meio do rio Paraná na Argentina, provocada pela seca na bacia superior, no Brasil