Amigos de 4 patas: cientistas revelam quando cães começaram a conviver com humanos

Arqueólogos descobriram restos mortais de um cachorro de caça pré-histórico no acampamento de Dmanisi, na Geórgia. Os achados datam de cerca de 1,8 milhão de anos, sendo o cão de caça mais antigo

Foto: Sputnik / Vitaly Ankov
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Arqueólogos italianos encontraram dentes e partes da mandíbula de um cachorro grande. Os cientistas, junto com pesquisadores da Geórgia e Espanha, analisaram os restos e revelaram que têm entre 1,77 milhão e 1,76 milhão de anos, segundo estudo publicado na revista "Scientific Reports".

Considerando que os cachorros selvagens se moviam da Ásia em direção à Europa e África, os cientistas sugerem que eles se depararam com os humanos no Cáucaso. Eles chegaram à Europa já acompanhando os humanos há cerca de 1,8 milhão a 0,8 milhão de anos. Mais tarde, os humanos levaram os cães para África.

Os cientistas revelam que o cachorro era carnívoro, com presença de mais de 70% de carne na alimentação, após terem estudado seus dentes. Eles não encontraram abrasão dentária, então o animal seria jovem, mas grande, teria cerca de 30 quilos. As características dentárias correspondem aos canídeos selvagens do Pleistoceno.

Os restos mortais provavelmente pertencem à espécie Canis (Xenocyon) lycaonoides, o cachorro de caça eurasiático. Acredita-se que esta espécie surgiu na Ásia Oriental e foi o ancestral de cachorros de caça africanos. Os numerosos fósseis revelam que os cachorros desta espécie caçavam coletivamente, inclusive atacavam manadas.

Ao contrário de outros cachorros de grande tamanho, os cães de caça eurasiáticos eram capazes de prestar cuidados socialmente. Eles traziam alimento aos cães fracos e doentes da matilha. Além do ser humano, são o único mamífero com conduta altruísta em relação a membros não aparentados de seu grupo.

Os cientistas sugerem que o altruísmo do cachorro poderia ser a razão de, ainda no período pré-histórico, ele se tornar o melhor amigo do humano. (com agência Sputnik Brasil)