Vestida com uma fantasia verde e amarela cheia de penas e plumas, a japonesa Sayaka Ohara, de 29 anos, poderia facilmente ser confundida com uma musa de bateria das escolas de samba brasileiras, se não fosse pelo sotaque. Com pele bronzeada, corpo em forma, salto alto e maquiagem de cores vibrantes, ela mostra muito gingado ao sambar sem inibição com a roupa que usa para se apresentar em festas em Tóquio. Há seis meses no Brasil, a dançarina está se preparando para desfilar como passista da X-9 Paulistana, onde ensaia com dedicação.
A comunicação com os brasileiros por enquanto tem sido por meio do samba, já que ainda arranha no português e precisa da ajuda de um intérprete. "Estou gostando muito dos ensaios na quadra e fico feliz pela experiência que tenho tido no Brasil. Está sendo difícil acompanhar o ritmo dos integrantes da escola, mas estou animada por fazer parte disso tudo", diz, com um sorriso largo no rosto. "Acompanho o ritmo de acordo com o que tenho aprendido e fico contente por cada vez aprender mais".
Sayaka mora em Yokohama, perto de Tóquio, onde conheceu o ritmo brasileiro por curiosidade ao ouvir um CD de samba numa loja de discos há 9 anos. Ela diz que se apaixonou imediatamente pela música e quis aprender mais sobre o Brasil. Em seguida, passou a integrar a escola de samba Vermelho e Branco, no Japão, pela qual desfila numa espécie de Carnaval japonês, que acontece em agosto, no distrito de Asakusa, em Tóquio.
Samba no pé em Tóquio
Na agremiação japonesa, ela conheceu uma professora que tinha desfilado na Vai-Vai e a incentivou a conhecer a folia brasileira. Em 2006, Sayaka veio conferir de perto o Carnaval de São Paulo e teve aulas de samba na escola Camisa Verde e Branca. No entanto, a coragem de desfilar só apareceu dois anos depois, quando finalmente saiu como passista dessa escola paulistana. Este ano, ela repetirá a dose na X-9. A dançarina veio para o Brasil sozinha, mas contou com o apoio dos pais, que tentam entender a paixão dela. "O Carnaval no Brasil é maravilhoso, no Japão ainda está crescendo. Só depois de treinar na Vermelho e Branco é que me senti preparada para desfilar em São Paulo", afirma.
Após essa experiência, Sayaka quer ir além e montar a própria escola de dança no Japão para ensinar ritmos brasileiros, entre eles, o samba. Para se profissionalizar, iniciou um curso intensivo de samba no pé em janeiro, em uma escola na zona sul de São Paulo. Todas as terças e quintas, ela faz aulas por duas horas com a professora Carla Salvagni para obter o certificado concedido pela escola brasileira que é aceito no Japão.
O curso funciona como uma pós-graduação de samba e, além da dança, Sayaka também faz aulas teóricas sobre a história e modalidades de samba, que vão além do samba de Carnaval. "Os estrangeiros imaginam que samba é a mesma coisa do que Carnaval. O que fazemos aqui é mostrar que há uma diferença. Por isso, abordamos a história e nascimento do ritmo que surgiu do maxixe", explica Carla Salvagni, que costuma ensinar o ritmo a turistas japoneses e americanos ao longo do ano.
Agora, é só esperar para ver o show que Sayaka dará na avenida ao lado de outras passistas da X-9.