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'O remo ainda é muito carente de apoio', diz Fabiana Beltrame

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Carla Knoplech, JB Online

RIO - Ela foi a primeira mulher brasileira da história a participar das competições de remo em Olimpíadas, compete profissionalmente desde os 15 anos, é assediada pela beleza típica catarinense e será uma das promessas para os Jogos Olímpicos de Pequim: Fabiana Beltrame tem 26 anos e está se preparando para viajar para o Campeonato Mundial de Remo, em Munique. Em entrevista ao JB ONLINE, Fabiana fala do esporte, reclama da falta de apoio e conta suas expectativas para Pequim.

JB ONLINE: Você já participou das Olimpíadas de Atenas, qual a expectativa para os Jogos de Pequim? O remo brasileiro tem chances de ganhar medalha?

Fabiana: As Olimpíadas são o ponto máximo de qualquer esporte, eu estou treinando muito para conseguir bons resultados, mas sempre há uma pressão em trazermos medalhas, as pessoas têm que entender que só a classificação já é significativa. Realisticamente não sei se temos chance de medalhas, em Atenas fiquei em décimo quarto lugar, esse ano meu objetivo é ficar entre os doze melhores atletas.

JB ONLINE: Você é formada em Educação Física pela UESC, então quando você começou a praticar o esporte, de que forma você entrou para o remo? Sempre foi seu sonho ou a entrada se deu por acaso?

Fabiana: Eu tinha amigos que faziam remo e acabei entrando por acaso quando tinha 15 anos, entrei para experimentar e acabei ficando, no primeiro ano já participei de um campeonato regional em Florianópolis. Eu, quando pequena, pensava em fazer veterinária, mas como na minha cidade não tinha esse curso universitário, continuei no que já´estav dando certo que era o remo.

JB ONLINE: O remo é um esporte que define o corpo e há mitos de que, na mulher, ele propicia o desenvolvimento de ombros largos. Você se preocupa em não se deixar ficar muito masculinizada?

Fabiana: Eu nunca me preocupei com isso, sempre achei que essa coisa de ombrão era mais mito do que verdade, eu sou um pouco musculosa, mas nada demais. Eu treino o normal para uma atleta, corrida uma vez por semana e musculação quase todo dia.

JB ONLINE: O seu namorado também é atleta de remo, vocês falam muito sobre o esporte? Em época de competição, como você faz para relaxar?

Fabiana: Eu namoro o Gibran Cunha, há dois anos e meio, e ele também é de Florianópolis e veio para o Rio comigo, às vezes falamos de remo o dia inteiro, corrigimos nossos erros, ajudamos um ao outro, a nossa relação funciona muito bem porque entendemos a nossa realidade de atleta, eu pro exemplo estou indo ficar 45 dias fora e ele está tranqüilo. Já tive relacionamentos com não-atletas que não compreendiam a dedicação necessária. Para relaxar eu ouço muita Maria Rita e Marisa Monte, porque se ligar a TV em época de competição é só ver mais Olimpíadas!

JB ONLINE: O remo é um esporte ainda pouco procurado para patrocínio, por que isso acontece?

Fabiana: O remo ainda é muito carente de apoio porque ainda se espera um resultado mais expressivo do esporte no meio internacional, mas ele está surgindo, as coisas estão caminhando bem, só temos que entender que nessas competições disputamos com os melhores do mundo, não é simplesmente ir e ganhar uma medalha.