Marcello Victor, JB Online
RIO - Nos defiles dos grupos Especial, Acesso A (sábado) e Acesso B (terça-feira) na Marquês de Sapucaí, o público poderá assistir a dança de vários alunos que passaram pela escola de Manoel Dionísio e hoje defendem grandes escolas de samba. Os olhos orgulhosos do velho sambista estarão vidrados este ano na Portela. O primeiro casal Diego e Alessandra, e o segundo, Kátia Paz e Jéferson são crias de Manelão, como é carinhosamente chamado no mundo do samba. Alessandra foi premiada como uma das revelações de 2007.
Outros que poderão ser observados no Sambódromo são Rafael, primeiro mestre-sala da Unidos do Viradouro, que começou com Manoel Dionísio aos oito anos e hoje tem 24; Cristiane Caldas, instrutora esporádica da escola e primeira porta-bandeira da Paraíso do Tuiuti; Rafeal, primeiro mestre-sala da Viradouro; Vinícius, segundo mestre-sala da Porto da Pedra; Vinicinho, primeiro mestre-sala do Cubango; Marcílio e Verônica, primeiro casal da Imperatriz Leopoldinense. Ela também é instrutora do curso e futura candidata a vice-presidente na chapa de Manoel Dionísio a reeleição.
- Essa escola de mestre-sala e porta-bandeira foi um sonho que eu tive, realizei meu sonho e tenho certeza que nesses 17 anos estou realizando o sonho de muita gente - disse orgulho o presidente da escola.
Próximo de completar 18 anos, em setembro, Escola de Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Porta-Estandarte do Rio vive de contribuições de amigos, parentes, admiradores e do dinheiro do bolso do próprio idealizador. O custo com as despesas de instrutores e manutenção da sala ocupada atrás do setor 3, na Rua Benedito Hipólito, é de R$ 8.200. Por várias vezes, o projeto ficou ameaçado, mas conseguiu resistir.
Atualmente são ministradas aulas para crianças, adolescentes, adultos, terceira idade e jovens especiais com mais de 80% de coordenação motora. As idades variam de quatro a 80 anos. Um dos instrutores é Delegado, ex-mestre sala da Mangueira e baloarte do samba.
Manoel Dionísio não quis tecer comentários técnicos sobre cada um dos mestre-salas e porta-bandeiras que desfilarão no Grupo Especial. Mas, com experiência, deixou seu recado aos pares.
- A princípio entra todo o mundo com 40 pontos e vai perdendo na medida em que as coisas vão acontecendo. Uma dupla que vem ensaiar às 15h, vem na frente de uma que não vem ensaiar. Essa que não ensaiou vai reclamar o que depois? É complicado - decretou.