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Pólo do Brasil lamenta ter apenas 4 'estrangeiras' na equipe

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REUTERS

RIO - A seleção de pólo aquático feminino do Brasil lamenta que apenas quatro das 13 jogadoras que disputarão o Pan-Americano do Rio de Janeiro atuem fora do país.

Enquanto as 'estrangeiras' Andréa Henriques, Bárbara Amaro e as irmãs Cecília e Marina Canetti disputam temporadas de ao menos oito meses em EUA e Itália, as companheiras que jogam no Brasil participam somente de duas competições nacionais por ano, ambas com quatro dias de duração.

- A quantidade de jogos, de clubes e meninas jogando pólo é uma realidade completamente diferente do que se vê aqui no Brasil. Ainda estamos muito atrás - disse a centro Marina Canetti, que desde o ano passado defende a Universidade de Long Beach, na Flórida (EUA), junto com a irmã Cecília.

A atacante Bárbara Amaro, que há duas temporadas joga por uma universidade de Nova York, acrescentou: 'No Brasil se joga pólo feminino dois fins de semana por ano, o restante do tempo é praticamente só treinamento,' afirmou ela, citando o Troféu Brasil e a Taça João Havelange de pólo.

- Acho que essa é a grande diferença da nossa seleção para Canadá e EUA. Elas têm ritmo de jogo o ano inteiro, estão acostumadas com competição, e quando nós conseguimos pegar esse ritmo a competição já acabou, - contou.

A realidade que Bárbara, Marina e Cecília conheceram recentemente já faz parte da vida da atacante Andréa desde 2002, quando ela foi contratada para defender um time da segunda divisão italiana. Na temporada seguinte, ela já jogava na elite, e nos três últimos anos defendeu o Palermo.

- Quando eu chego para treinar na seleção percebo que as meninas daqui estão num ritmo mais forte de treinamento porque estão sempre treinado, mas em compensação na hora da partida elas sentem um pouco mais de dificuldade - disse Andréa.

Ao lado de Andréa na Itália jogam outras duas brasileiras que chegaram a treinar com a equipe do Brasil antes do Pan mas não estarão na competição. Alexandra Araújo e Luísa Chaves receberam convites para defender as fortes seleções de Itália e Austrália, respectivamente, e trocaram de nacionalidade há alguns anos.

As duas se apresentaram à seleção brasileira antes do Mundial de Esportes Aquáticos de Melbourne, em março deste ano, para defender o Brasil, mas a Federação Internacional de Natação exigiu que elas tivessem morando no país, o que não foi possível porque ambas jogam na Itália.

Se as duas estivessem no time, o técnico da seleção brasileira, Roberto Chiappini, acredita que a medalha de bronze conquistada no Pan de Santo Domingo, em 2003, viraria prata no Rio.

- Com elas a gente teria uma mudança de nível, que no nosso caso representaria disputar tranquilamente a medalha de prata com o Canadá.

O Brasil estréia no torneio de pólo feminino dos Jogos no sábado, justamente contra a seleção canadense. Os Estados Unidos, atuais campeões do Pan, são favoritos absolutos à medalha de ouro.