Marcos Eduardo Neves, Agência JB
RIO - Pouco compreendido no Brasil, surpreende o fato de o beisebol canarinho já exportar talentos para grandes centros internacionais. Paranaense de Londrina, o arremessador Gilmar Pereira, aos 19 anos, defende o Philadelphia Phillies, atuando na pátria onde nasceu o esporte.
Estou há anos na seleção com esse grupo. Me sinto quase um japonês brinca Gilmar, que parece um estranho no ninho, em meio a dezenas de nisseis, sanseis e yonseis que representam o país.
No Complexo Esportivo Cidade do Rock, local onde há 22 anos houve um lamaçal histórico no efervescente Rock in Rio, há hoje a sobriedade bucólica de dois campos adaptados de beisebol. Ontem, a seleção brasileira da modalidade reconheceu o gramado, palco de sua estréia no dia 14. Num intervalo das atividades, Gilmar Pereira demonstrou a ansiedade que nutre pelo desempenho nacional em seu primeiro Pan. Apesar da idade, o jogador é um dos mais experientes do grupo.
Comecei aos 11 anos, sem gostar muito, porque não entendia as regras. Depois peguei gosto. Joguei três anos no Japão antes de me transferir para os Estados Unidos.
Se na Ásia ele sofreu, também evoluiu bastante o seu jogo.
Treinávamos até sábado e domingo. E seis horas sem parar contou, enquanto seu fisioterapeuta lhe aliviava dores no ombro com uma bolsa de gelo. Algo natural para quem arremessa 150 bolas por dia.
Dos tempos de Japão, Gilmar notou como a cobrança é diferente.
Lá, técnico é que nem pai: chega a bater na gente, para ensinar - revela.
Fica difícil acreditar que, com 1,90m e 103 quilos de músculos, Gilmar sofreu nas mãos dos franzinos orientais. Mas que aprendeu, não há dúvidas. Um dos cinco atletas do grupo que vivem exclusivamente do beisebol, mesmo sem ser ainda profissional, Gilmar ganha US$ 3 mil por mês na terra do Tio Sam.