Frederico Zartore, Agência JB
RIO - Os cariocas terão a oportunidade de conferir por que os gastos da Prefeitura do Rio de Janeiro, com os Jogos Pan-Americanos 2007, passaram 684% do valor fixado no orçamento do projeto original divulgado em 2002, aprovado pela Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa).
Vereadores da Câmara Municipal aprovaram requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Pan. De acordo com o documento, apresentado pelo vereador Eliomar Coelho (PSOL) e que contou com mais 16 assinaturas de parlamentares, a comissão pretende apurar supostas irregularidades nas obras, excessivos adiamentos e dispensas de licitação, equipamentos e contratos firmados pela Prefeitura do Rio para os Jogos.
- A sociedade já estava nos cobrando esta decisão diante do absurdo que estava lendo e ouvindo. Por isso queremos esclarecer tudo e seremos duros com a prefeitura - declara Coelho.
O Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, é um dos principais alvos da investigação parlamentar que já deveria estar pronto e chama a atenção com o aumento exorbitante nos gastos. Em 2003, a Prefeitura informou, através de seu Diário Oficial , que as obras no Engenhão custariam R$ 60 milhões (com correção, hoje, R$ 75 milhões). Com os inúmeros estouros no orçamento, os gastos já chegaram a R$ 380 milhões.
- Já fizeram mais de 20 adiamentos de contrato, e a obra não acaba. Fora isso, nesta reta final, alguns serviços estão sendo feitos sem licitação - diz Coelho.
Os estouros não foram somente do município. Estado e União afirmaram em acordo com a Prefeitura, há cinco anos, que juntos gastariam R$ 409 milhões. O somatório hoje chega a R$ 3,2 bilhões subtraídos dos cofres públicos. Só a Prefeitura, pulou de R$ 239 milhões para R$ 1,2 bilhão.
- Sempre fui favorável ao Pan-Americano e tenho orgulho de ser desta cidade, mas não posso aceitar essa orgia financeira. Este é o Pan mais caro da história diz.
O Estado do Rio lidera o ranking com o recorde no estouro do orçamento. De R$ 31 milhões as contas saltaram para 500 milhões, aproximadamente 1513% a mais. Em segundo está o governo federal que os R$ 138 milhões previstos já chegam a R$ 1,5 bilhão, aumento de 987%.
Apesar de deputados federais e estaduais tentarem abrir comissões para investigar também as contas do Pan em seus territórios de legislação, apenas os vereadores tiveram êxito no propósito.