ASSINE
search button

Doping genético: do alerta à realidade

Compartilhar

Agência JB

RIO - Terapia genética que melhora o desempenho de atletas e ainda não pode ser detectada com segurança em exames antidoping será tema de congresso médico do Pan, semana que vem no Rio, com presença de maior autoridade mundial no assunto

O doping genético - uso da terapia genética para aumentar artificialmente a massa muscular e a capacidade pulmonar de atletas, e para o qual a Agência Mundial Antidoping começou a chamar a atenção ainda em 2003, quando o incluiu em sua lista de práticas proibidas - seria uma das vedetes dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em julho?

O professor Eduardo De Rose, Diretor do Departamento de Antidoping do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e Presidente da Comissão Médica da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), acredita que ainda não, salvo raras exceções.

- O primeiro doping genético seria uma Eritropoietina (EPO) sintética tão igual à humana que dificilmente poderia ser detectada, e que já esta sendo utilizada em esportes de fundo como o ciclismo explica o médico. - Mas, em termos gerais, os cientistas pensam que as primeiras modificações genéticas importantes em área muscular dos atletas surgirão talvez nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Hormônio é fabricado pelo rim, mas há fomas sintéticas

A eritropoietina é um hormônio secretado pelo rim e que é responsável por estimular a produção das células vermelhas do sangue. E quanto mais hemácias, maior a capacidade de oxigenação do organismo e, conseqüentemente, mais fôlego na hora de praticar um esporte por isso alguns esportistas fazem uso de formas sintéticas do hormônio.

Mas seria possível detectar a EPO como doping, uma vez que o hormônio é também fabricado pelo corpo humano? A rigor, se o nível de hemácias ultrapassa o que até hoje se observou como possível no corpo humano, pode-se desconfiar e investigar mais a fundo.

- A resposta da história tem sido que toda técnica de doping tem encontrado uma resposta no antidoping. Assim foi com os anabolizantes, com a testosterona e com a EPO afirma o médico.

Maior especialista mundial no tema estará no Rio semana que vem

Segundo De Rose, ao listar o doping genético em 2003 entre as modalidades de fraude na competição desportiva, a Agência Mundial Antidoping fez nada mais do que sinalizar para uma possibilidade futura, proibindo eticamente sua prática e estimulando as pesquisas para um dia se poder detectar esse tipo de procedimento, o que já está sendo feito.

- Se observarmos as estatísticas dos últimos quatro anos, o doping mais usado é o anabólico esteróide, seguido pelos estimulantes diz De Rose, que é uma das presenças confirmadas semana que vem no Congresso Médico dos XV Jogos Pan-Americanos, que reunirá médicos dos comitês olímpicos dos 42 países participantes e terá como destaque na discusão do doping genético o especialista americano Theodore Fridmann, maior autoridade mundial no assunto.