Álvaro Costa e Silva , Agência JB
RIO - Além da surpreendente Viradouro, que trouxe a bateria de mestre Ciça montada em cima de um carro alegórico em forma de tabuleiro de xadrez e uma "alegoria viva" representando uma partida de futebol, outra favorita a desfilar na madrugada de ontem foi a Vila Isabel, que defendeu o título de campeã do carnaval.
Animada pelo samba-enre do de forte refrão que pegou na Marquês de Sapucaí ("Samba não tem preconceito/ Brancos, negros, iguais/ Um beijo da Vila Isabel Princesa/ Metamorfose assim se faz"), a escola mostrou luxo nas fantasias - impressionante a quantidade de gorilas e homens da caverna, a começar pela comissão de frente e a despeito do enorme calor que marcou o primeiro dia das apresentações no Sambódromo.
Além da riqueza, a garra dos componentes foi fundamental para contar o enredo Metamorfose: do reino natural à corte popular do carnaval. Foi, sem favor, um desfile para brigar pelo bicampeonato. Ou, no mínimo, para garantir vaga entre as cinco primeiras colocadas no Sábado das Campeãs - ao lado da Mangueira, que também realizou um competente carnaval, não obstante o desagradável episódio envolvendo a cantora Beth Carvalho, que, impedida de sair no alto de um carro, chorou na Sapucaí.
A não ser pela beleza da comissão de frente na qual Adão "pula" do livro da criação e pela não menos espetacular bateria de mestre Jonas, que promoveu uma paradinha quase interminável, a Mocidade Independente frustrou sua torcida. Penúltima a desfilar na madrugada de ontem, com o enredo O futuro no pretérito, uma história feita à mão, passou morna, transferindo sua desanimação para as arquibancadas do Sambódromo. A agremiação de Padre Miguel e da Vila Vintém confirmou os boatos de que, sem o apoio do falecido patrono Castor de Andrade, não é mais a mesma de antes.
Entre as que desfilaram no primeiro dia, a Mocidade ficou como candidata a cair de grupo, ao lado da Estácio, que sentiu a volta à turma mais forte, e do Império Serrano, que, se fez um desfile alegre, com destaque para a bateria de mestre Átila e a rainha Quitéria Chagas, teve problemas com sua comissão de frente e com a quebra de um carro alegórico.