Agência JB
Rio - Manter o macacão abotoado é tão importante quanto concentrar-se na força dos braços e das pernas. E ai de quem desrespeitar a ordem do diretor de harmonia e usar o calor como desculpa. A elegância e sobriedade dos homens que empurram os carros alegóricos - trabalho chamado de "apoio" - são detalhes determinantes para manter o conjunto de uma a escola de samba.
- Não pode cara amarrada, braço frouxo nem macacão aberto - ensina o corretor de seguros Sérgio Pereira, 46 anos, o "apoio"" mais antigo da Estácio de Sá.
São 15 carnavais na árdua tarefa. No começo do desfile, explica Sérgio, é só alegria. Dá até para batucar com uma mão enquanto a outra tem força de levar o carro. Lá pelo meio da Avenida, o balanço das dezenas de componentes começa a doer nas costas. No recuo da bateria, as mãos já estão dormentes. Na dispersão, as duas pernas têm o peso de um carro alegórico cada.
-Mais difícil que o esforço, pra mim, é não ver a escola desfilar.
Mas engana-se quem pensa que Sérgio gostaria de trocar de função na escola. A responsabilidade de levar a Estácio nas costas, literalmente, garante, é a maior alegria da sua vida.
- Já saí no chão, na bateria, e até de destaque. Mas aqui eu sinto que sou importante para a comunidade - diz Sérgio, morador do Morro de São Carlos desde que nasceu.
Neste carro alegórico de Sérgio, além de os sete empurradores terem de coordenar as passadas para que um lado do carro não se adiante em relação a outro, têm de tomar cuidado para não tropeçarem nos fios do gerador de luz.
- É concentração pura. Aqui não dá para pensar na mulher, no time, no trabalho, é só harmonia, harmonia, harmonia, evolução, evolução - brinca Sérgio.