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Volta do 'tititi' à Sapucaí abre Carnaval da África e do Pan

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REUTERS

RIO - O 'tititi' voltou à Sapucaí. Depois de 20 anos a Estácio de Sá resolveu reeditar um velho sucesso para tentar se firmar no grupo de elite do Carnaval carioca. A estratégia de dar roupa nova para velhos temas, como o continente africano, será a marca de boa parte dos desfiles das escolas neste ano.

- A idéia foi ótima, só que desta vez a escola foi muito melhor, com certeza vamos voltar no sábado - afirmou o presidente da Estácio, Leziário Jerôniomo dos Santos, após o desfile no domingo, que abriu a primeira noite no Sambódromo carioca.

O samba não chegou a empolgar, mas o público repetiu o consagrado refrão de 1987 - "que tititi é esse que vem da Sapucaí, tá que tá danado, tá cheirando a sapoti"- que contou na avenida as viagens da frutinha mexicana pelo mundo e pelo Brasil. Os temas sociais, que já foram muito explorados, também passaram no Sambódromo. A questão foi levada para a avenida pelas mãos da Império Serrano. A verde-e-branco de Madureira resolveu atacar o preconceito com seu samba-enredo 'Ser Diferente é Normal. A Império Serrano Faz a Diferença no Carnaval'.

Crianças com síndrome de Down e pessoas em cadeiras de rodas participaram do desfile. Entre os integrantes da bateria estava Daniel Ranered, 14 anos, portador da síndrome que fez sua estréia na Sapucaí inspirado pelo tema.

- Nunca imaginei que fosse desfilar em um dia tão especial, é uma alegria muito grande - disse Daniel, que tocou tamborim.

Mas nem só de passado será a noite. Entre as novidades prometidas pelas escolas estão a estréia da cantora Preta Gil como rainha da bateria da Mangueira e a promessa da Viradouro de trazer sua bateria "sobre rodas", apresentada pela atriz Juliana Paes. A África, que já garantiu títulos para diversas agremiações, será apresentada na noite de segunda-feira por três escolas.

- Sempre que pode a escola vem com esse tema, que já lhe deu títulos no passado - explicou o carnavalesco Alexandre Louzada, da Beija-Flor de Nilópolis, que vem com o samba-enredo 'Áfricas: do Berço Real à Corte Brasiliana'.

Assim como a Beija-Flor, Salgueiro e Porto da Pedra também apostaram no continente africano. A Grande Rio, segunda colocada em 2006, também resolveu homenagear um local, mas bem mais próximo. O tema do desfile será a cidade natal da agremiação: Duque de Caxias, na baixada fluminense. A homenagem a personagens ilustres da cultura brasileira, outro tema recorrente, é a aposta da Imperatriz Leopoldinense, que amargou um nono lugar no ano passado.

O homenageado desta vez será o apresentador de televisão Abelardo Barbosa, o Chacrinha, falecido em 1988. Mangueira, Viradouro, Mocidade, Vila Isabel e Unidos da Tijuca apostam na vitória com histórias que vão desde a língua portuguesa até a fotografia, passando pela evolução do homem, outro tema que já faz seu desfile pelo Sambódromo.

A Portela, que amarga um jejum de mais de duas décadas sem títulos, escolheu contar a história dos esportes e homenagear, por tabela, os jogos Pan-Americanos que acontecem neste ano no Rio de Janeiro. A escola levará dezenas de atletas à Sapucaí na segunda noite de desfiles do grupo especial.