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SALVADOR - Maior bloco de afoxé do mundo, o grupo Filhos de Gandhi reduziu quase que pela metade seu orçamento de Carnaval 2007, por problemas de captação de recursos. Outras 46 entidades negras também passam dificuldade, após ficar sem a verba da prefeitura captada através de leis de incentivo.
- Nossos fornecedores de toalha, tecido, alfazema ainda não foram pagos, foi na confiança, vamos pagar depois - disse o diretor de marketing do bloco, Orlando Santos Pereira.
O Filhos de Gandhi, que já teve como vice-presidente o ministro da Cultura, Gilberto Gil, completou neste Carnaval 58 anos. Na saída de domingo, mais de 9 mil homens transformaram o circuito de Campo Grande em um enorme tapete branco, devido às roupas brancas que usam.
Segundo Orlando, o Filhos de Gandhi tem um orçamento de R$ 1,1 milhão para todo o Carnaval, incluindo as três saídas do bloco, mas neste ano só arrecadou R$ 600 mil. Eles têm a indumentária mais cara da folia, com 16 itens. As peças são distribuídas para a comunidade e vendidas para foliões de fora por R$ 250.
- O Carnaval cultural está sendo desprestigiado, está sumindo. Ninguém mostra na TV a humilhação que as entidades negras estão passando na porta do poder público e nas empresas privadas - disse Orlando.
O coordenador financeiro do Coletivo de Entidades Negras, que reúne 46 grupos, também denuncia o descaso, que se aprofunda a cada ano. Segundo Ari Sena, a prefeitura só pagou em fevereiro deste ano as duas últimas parcelas da cota do Carnaval passado, de R$ 110 mil.
A cota deste ano, de R$ 700 mil para todas as entidades, captada através de leis de incentivo à cultura, só será repassada depois da festa, garante a prefeitura.