CINEMA
Crítica - ‘O último pub’: comentário político atual e pertinente
Por TOM LEÃO
redacao@jb.com.br
Publicado em 16/08/2024 às 11:38
Alterado em 16/08/2024 às 11:38

Anunciado como o último filme do premiado diretor britânico Ken Loach (‘Eu, Daniel Blake’), “O último pub” (“The old oak”) estreou na semana passada em apenas quatro capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. O longa, que participou da competição do Festival de Cannes em 2023, teve sua primeira exibição no Brasil na segunda edição do Festival Internacional de Cinema de João Pessoa (FestincineJP), com a presença do protagonista, Dave Turner.
“O último pub” (o título original em inglês refere-se ao nome do pub, “The old oak, o velho Carvalho”) se passa em um vilarejo no nordeste da Inglaterra, que se dedicava à mineração. Enquanto as minas foram sendo fechadas (o auge disso foi nos anos 80), o comércio decaiu e a população local começou a ir embora, deixando para trás apenas os moradores que não conseguiram se mudar para outras áreas.
Assim, a pobreza e decadência abundam. É neste contexto de abandono e negligência que a região começa a receber refugiados sírios, realocados para lá pelo governo, por ser uma área desvalorizada.
TJ Ballantyne (Dave Turner, que já trabalhou com Loach em outros dois longas: ‘Eu, Daniel Blake’ e ‘Você não estava aqui’), proprietário do pequeno pub do vilarejo, tenta manter seu negócio aberto, a duras penas (seus últimos fregueses são seus amigos há 40 anos). Nesse meio tempo, ele conhece a jovem síria Yara (Ebla Mari), que tem sua câmera fotográfica quebrada -- após ser hostilizada por ser imigrante --, e TJ tenta ajudar a consertá-la. A partir disso, uma inesperada amizade nasce entre os dois, enquanto o preconceito cresce contra os novos habitantes da cidade, que são muçulmanos.
Reconhecido por um cinema preocupado com a classe trabalhadora e por retratar a vida de pessoas comuns, muitas vezes oprimidas pelos sistemas político e econômico, Loach, 87 anos, anunciou que ‘O último pub’ é seu canto de cisne (e notamos que, apesar das boas intenções do diretor, o filme é um bocado previsível e frouxo, já mostrando que ele está se repetindo, apesar de ainda pertinente). Dessa vez, o cineasta volta seu olhar para uma das questões mais debatidas da atualidade: a dos refugiados, e a queda do padrão de vida dos trabalhadores britânicos. Curiosamente, no final de julho, um adolescente, filho de imigrantes, matou três crianças inglesas esfaqueadas, desencadeando uma onda de violência em partes da Inglaterra. O que torna tudo ainda mais atual e relevante.
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