CINEMA

Em seu aniversário de 70 anos, Godzilla de 1954 esmaga a concorrência na Berlinale

Por RODRIGO FONSECA, de Berlim
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Publicado em 16/02/2024 às 08:48

Godzilla, alta audiência em Berlim Foto: divulgação

É possível comprar ingressos (a partir de 15 euros) para os filmes da Berlinale, o que assegura a lotação de produções inéditas, descobertas pelo evento e alocadas na competição pelo Urso de Ouro – caso da comédia francesa “Hors du temps”, de Olivier Assayas – e também garante salas lotadas em sessões de clássicos. No quesito nostalgia, o primeiro longa-metragem a gerar mobilização na sessão de resgate do Festival de Berlim de 2024 é o japonês “Gojira”, traduzido por aqui e por quase todos os cantos do mundo como “Godzilla”. As projeções da produção de 1954 em solo germânico celebram os 70 anos do personagem, que não para de brilhar.

Em 2023, o celacanto que provoca maremoto (e destrói prédios) em terras nipônicas faturou US$ 106 milhões planeta afora, e ainda abocanhou uma indicação ao Oscar de Efeitos Visuais. Agora em março, Hollywood se apropria da criatura escamosa em “Godzilla e Kong: O Novo Império”, superprodução com fôlego de blockbuster.

Ambos os títulos foram concebidos na esteira da celebração de “Gojira”, que foi dirigido na primeira metade da década de 1950 por Ishirô Honda (1911-1993), cineasta responsável pela criação do rei das bestas colossais ao lado de Tomoyuki Tanaka e Eiji Tsuburaya. Em sua trama, Godzilla é um ser pré-histórico que ganha proporções GG e uma série de poderes atômicos, numa ressaca dos testes nucleares da II Guerra Mundial.

Foi “Minus One” quem melhor explorou essa origem histórica. É o 37º longa sobre o bichão cospe-raios. A direção de Takashi Yamazaki impressionou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas hollywoodiana. Fiel ao legado de Honda, ele filmou na região insular de Konshu, de março a junho de 2022. O realizador deu à trama um timbre de folhetim, sem descuidar das sequências de ação e de quebra-quebra por um Japão assombrado pela explosão de bombas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945.

A Berlinale segue até o dia 25. Nesta sexta-feira, a competição pelo Urso de Ouro segue com “My Favorite Cake”, de Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha, produção iraniana na qual uma solitária septuagenária abre o coração para um novo amor. Os artistas e filmes premiados no evento serão anunciados no dia 24, pelo júri presidido pela atriz Lupita Nyong’o.

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